Os dois pandas do Zoológico de Tóquio, os únicos presentes no Japão, serão devolvidos à China em janeiro, informaram nesta segunda-feira os meios de comunicação japoneses, o que poderá privar o Japão destes animais emblemáticos pela primeira vez em meio século.
Emprestados como parte do programa de “diplomacia do panda” da China, estes animais simbolizam a amizade entre Pequim e Tóquio desde a normalização das relações diplomáticas em 1972.
Atualmente, o Japão tem apenas dois pandas – Lei Lei e Xiao Xiao – no Jardim Zoológico de Tóquio, no distrito de Ueno.
Os gêmeos deverão ser repatriados um mês antes do término do período do empréstimo, em fevereiro, informaram o diário Asahi e outros meios de comunicação.
A cidade de Tóquio solicitou que os mamíferos extremamente populares permanecessem no zoológico, onde atraem grandes multidões, mas a China não concordou, segundo o diário econômico Nikkei.
A Câmara Municipal de Tóquio, contactada pela AFP, não quis comentar.
O diário Asahi também noticia que Tóquio está a tentar obter separadamente um empréstimo para um novo casal, embora a sua chegada antes do regresso de Lei Lei e Xiao Xiao pareça improvável.
As relações entre as duas maiores economias da Ásia ficaram fortemente tensas depois que o novo primeiro-ministro conservador do Japão, Sanae Takaichi, sugeriu que Tóquio poderia intervir militarmente no caso de um ataque a Taiwan.
Esta declaração provocou a ira de Pequim, que reivindica a ilha como parte integrante do seu território e não descarta a tomada dela pela força.

O Zoológico de Ueno há muito se beneficia da diplomacia dos pandas, tendo cooperado com estabelecimentos na China e nos Estados Unidos para criar pandas gigantes.
Lei Lei e Xiao Xiao nasceram em 2021, filhos de sua mãe Shin Shin, que chegou em 2011 e foi enviada de volta à China no ano passado.
A reprodução de pandas em cativeiro é extremamente complexa devido às dificuldades de acasalamento, à frequência de gravidezes nervosas e à alta taxa de mortalidade de recém-nascidos.