A Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSES) recomenda às autoridades europeias que optem pela rotulagem dos produtos de uso profissional que contenham fluoreto de sódio, mais protetores para os trabalhadores, alertando para a sua natureza potencialmente tóxica endócrina e reprodutiva.

A ANSES analisou os possíveis perigos para a saúde desta substância a nível endócrino no âmbito do regulamento europeu CLP (classificação, rotulagem e embalagem de produtos), especifica quinta-feira num comunicado de imprensa.

Este regulamento diz respeito à classificação e rotulagem de substâncias químicas, bem como de misturas – compostas por diversas substâncias -, e é exigido pelos fabricantes e importadores da UE para alertar através de pictogramas sobre a natureza perigosa ou tóxica de um produto.

Não se aplica a alimentos ou medicamentos, por exemplo.

Tendo em conta os dados de vários estudos científicos sobre humanos e roedores, a agência recomenda classificar o fluoreto de sódio como um “desregulador endócrino para a saúde humana” e uma “substância tóxica para a reprodução”. Já é classificado como “tóxico” porque pode causar irritação na pele ou nos olhos.

“A ideia é informar sobre os perigos” da substância “utilizada no ambiente industrial, para proteger os trabalhadores que a manuseiam todos os dias durante anos, para que possam ser tomadas as medidas preventivas mais adequadas”, explica à AFP Henri Bastos, diretor científico de Saúde e Trabalho da ANSES.

“Esta é uma informação importante para que haja especial atenção às utilizações”, nomeadamente industriais, desta substância, especifica.

Este ficheiro, enviado à Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), está em consulta pública – período para recolha de comentários das partes interessadas – no seu site até 16 de janeiro.

Nos próximos meses, o Comité de Risco da ECHA emitirá o seu parecer, no qual a Comissão Europeia baseará a sua decisão de atualizar ou não a classificação do fluoreto de sódio.

Naturalmente presente nas águas superficiais e subterrâneas, esta substância também se encontra em alimentos à base de cereais, água potável, folhas de chá, leite, lacticínios e sal de cozinha, lembra a ANSES.

Pode ajudar a reduzir a formação de cáries dentárias, razão pela qual 90% dos cremes dentais e outros produtos de higiene bucal o contêm, em quantidades muito pequenas.

De acordo com um parecer da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), actualmente, as ingestões máximas em alimentos ou água – alguns raros estados, mas não a França, adicionam-nas à água potável – não representam um problema para a saúde humana.

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