Pela primeira vez na sua existência, o Gabinete Parlamentar de Avaliação das Escolhas Científicas e Tecnológicas (Opecst) votou contra o seu próprio relatório. O órgão criado em 1983 deveria tornar pública, quinta-feira, 30 de abril, uma nota científica sobre os efeitos do acetamipride na saúde e no meio ambiente. Proibido em França desde uma lei de 2018, este pesticida neonicotinóide poderá ser reautorizado na sequência das discussões e alterações previstas no projeto de lei de emergência agrícola, cuja análise na Assembleia Nacional começou na terça-feira, 28 de abril. Desde o verão de 2025 e a adoção da chamada lei Duplomb (“destinada a levantar restrições à profissão de agricultor”) que pretendia colocá-lo de volta na sela – uma disposição censurada pelo Conselho Constitucional – tem estado no centro de uma polêmica animada.
Após cerca de vinte audições com investigadores, a maioria deles especialistas nos efeitos dos pesticidas na saúde humana e na biodiversidade, e uma visita à estação de investigação do CNRS em Chizé (Deux-Sèvres) dedicada a estas questões, a Opecst pretendia trazer a sua voz a estes debates. As negociações de última hora decidiram o contrário. Duas horas antes do início da coletiva de imprensa de devolução da nota, a imprensa foi informada do “relatório” de sua apresentação, “em uma data posterior desconhecida até o momento”tendo a própria adopção da nota sido “postergado”.
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