Eles cobrem apenas cerca de 6% da superfície terrestre, mas abrigam quase 40% das espécies animais e vegetais. Quem são eles? Pântanos! Este termo designa áreas onde a água está presente de forma permanente ou sazonal, na superfície ou no solo, e molda de forma sustentável os solos, a vegetação e a vida animal. Existem zonas húmidas em todo o planeta: algumas são naturais (estuários, pântanos, turfeiras, etc.), outras criadas ou fortemente desenvolvidas pelo homem (arrozais, sapais, viveiros de peixes, reservatórios, etc.).

Por ocasião da nova temporada “Viagens nas Zonas Húmidas”, o Parque Zoológico de Paris convida o público, de 18 de abril a 1 de novembro de 2026, a descobrir a riqueza e a diversidade destes grandes ecossistemas, bem como os seus usos e as principais questões ligadas à sua preservação. Na programação: um tour dedicado a eles, com oportunidades de encontros com cientistas, atividades educativas e até atividades criativas.

Zonas húmidas, essenciais e altamente ameaçadas

Durante o seu percurso dedicado, o Parque Zoológico lembra-nos que as zonas húmidas albergam cerca de 50% das aves, bem como 30% de espécies vegetais notáveis ​​e ameaçadas. Eles também abrigam uma infinidade de peixes e insetos, sem falar de todas as espécies que ainda não foram descobertas. Os seus papéis são largamente subestimados, especialmente os relacionados com a regulação da água, o armazenamento de carbono e a mitigação das alterações climáticas.

Infelizmente, vítimas da poluição, da urbanização, da agricultura intensiva e até das alterações climáticas, estes ecossistemas estão hoje entre os mais ameaçados. Na verdade, desde o início do século XVIII, cerca de 21% da superfície total das zonas húmidas desapareceu em todo o mundo! Para retardar a sua degradação, existem ações de proteção, nomeadamente a Convenção de Ramsar de 1971, que reúne 173 países e reconhece mais de 2.550 zonas húmidas de importância internacional.

Viagem às zonas húmidas do Parque Zoológico de Paris. Créditos: MNHN

Savanas inundáveis ​​em África, lagos salgados na América do Sul e recifes de coral em Madagáscar

Ao longo do caminho, os visitantes são convidados a viajar até ao coração das diferentes zonas húmidas do planeta e à sua biodiversidade. Eles passam de um continente para outro: savanas inundadas africanas, prados úmidos e turfeiras europeias, manguezais e lagos salgados da América do Sul ou recifes de coral de Madagascar. Paisagens onde a vida abunda e que desempenham um papel fundamental no equilíbrio da vida e das sociedades humanas. Em particular, o peixe-boi das Índias Ocidentais está no centro das atenções (Trichechus manatus manatus), espécie que sofreu um declínio acentuado em parte da sua área histórica, com um acentuado “vazio” nas Pequenas Antilhas, sob o efeito das pressões humanas (tráfego marítimo, pesca, degradação da qualidade da água, destruição de tapetes de ervas marinhas).

O Aquascope, espaço expositivo do Parque Zoológico de Paris, destaca as zonas húmidas através de exemplares e objetos das coleções do Museu Nacional de História Natural. Observamos peixes capazes de sobreviver fora da água, insetos em metamorfose, “árvores que andam sobre a água”, ou mesmo pássaros que viajam milhares de quilómetros todos os anos.

O Parque Zoológico também recriou zonas húmidas: vários pontos de água, inspirados num lago e numa turfa, foram desenvolvidos para incentivar o estabelecimento da biodiversidade local. Ali podem ser observadas plantas carnívoras, tritões, sapos, libélulas e libelinhas.

Espécies de zonas úmidas contaminadas por mercúrio

O Parque Zoológico de Paris também participa em vários programas europeus de reprodução conservacionista relativos a espécies estreitamente ligadas às zonas húmidas. Este é particularmente o caso da perereca de olhos pretos, ou do killifish do Peloponeso, um pequeno peixe em perigo crítico de extinção.

Perereca de olhos pretos (Agalychnis moreletii). Créditos: MNHN – M. Toullec

O Parque também participa de pesquisas realizadas na Guiana sobre a contaminação por mercúrio do jacaré-anão de Cuvier, espécie também destacada durante a visita.

Jacaré-anão de Cuvier (Paleosuchus palpebrosus). Créditos: MNHN – G. Balemboy

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