EUhá pouco tempo, o Rally Nacional (RN), pela boca do seu vice-presidente, Sébastien Chenu, achou por bem descrever os professores de sociologia de Nanterre como solteironas ranzinzas e impróprias para o casamento: segundo ele, seriam “feio, amargo e mal estilizado”. Quanto aos seus colegas do sexo masculino, sentimo-nos, portanto, inclinados a suspeitar que não têm o físico ideal de genro de Jordan Bardella, o presidente do partido de extrema-direita. Por que não praticavam musculação ou esqui aquático em vez de se mumificarem na poeira das bibliotecas? E como eles próprios não poderiam ficar amargurados, cercados como estão por mulheres murchas e ranzinzas?

De qualquer forma, somos convidados a compreender que esta população docente, seja ela feminina ou masculina, é uma população de fracassados. Não é porque algo é inapropriado que os termos são escolhidos aleatoriamente. A história de Nanterre é suficientemente conhecida para que todos entendam que ao usar este nome próprio ativamos a memória do que outrora foi um local de protesto. E ao descrever os sociólogos como harpias, não são apenas as mulheres que atacamos, é, por capilaridade, se ousarmos dizer, a sociologia como um todo. Mas por que diabos escolher tal alvo? Vamos rebobinar o filme.

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O presidente do RN tornou pública a sua relação com um aristocrata, relação que não se enquadra na narrativa política que pôs em circulação, narrativa que realça as suas origens supostamente modestas. E é por isso que o seu vice-presidente vem em seu auxílio explicando que não poderia casar com uma mulher pertencente à referida categoria. Líder de um partido que há vários anos atrai as classes trabalhadoras, ter-lhe-ia sido difícil explicar que casar com Maria Carolina é melhor do que casar com Mireille, uma caixa em Drancy (também feia, amarga e mal vestida), porque tal afirmação teria exalado o desprezo de classe que, precisamente, o RN castiga em alguns dos seus adversários.

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