Uma bandeira do Mali cobre o caixão. Plantado à frente, com o olhar escondido pelos óculos escuros, o General Assimi Goïta está em posição de sentido. Quinta-feira, 30 de abril, em Bamako, diante de uma audiência de oficiais e sob altíssima proteção, o chefe da junta governante presta solene homenagem a um dos seus pilares, com quem tomou o poder através de um golpe, em 2020: o general Sadio Camara.
Em 25 de Abril, durante uma ofensiva em grande escala levada a cabo conjuntamente pelos jihadistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM) e os separatistas predominantemente tuaregues da Frente de Libertação Azawad (FLA) em diferentes regiões do país, o Ministro da Defesa e número dois da junta foi morto num ataque com veículo-bomba contra a sua residência no seu reduto de Kati, uma cidade-guarnição localizada a cerca de vinte quilómetros a norte da capital.
Por trás do seu comportamento plácido, com a sua boina cáqui e lenço bege, o General Camara não era apenas uma figura chave no poder militar do Mali. Foi também ele quem idealizou, estabeleceu e implementou a aliança do seu país com a Rússia, em detrimento da França. Em 2021, este russófilo, que regressou do curso de formação que frequentava em Moscovo para liderar o golpe de Estado em Bamako, reuniu-se várias vezes com Evgueni Prigojine, o fundador do grupo Wagner, para negociar a chegada dos seus mercenários ao Mali. Desde então, tem sido o homem e interlocutor dos russos em Bamako.
Você ainda tem 82,33% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.