Um módulo removível que permite a liberação de até 50 drones ou 12 mísseis de cruzeiro do porão do A400M Atlas está em desenvolvimento. O avião de transporte militar europeu confirma a sua versatilidade.
O A400M Atlas continua a nos surpreender. Em 18 de abril de 2026, a Airbus Defense publicou uma mensagem no X, divulgada pelo site especializado OpexNews, listando os próximos desenvolvimentos de suas aeronaves de transporte militar. Entre elas, uma nova capacidade: transformar o Atlas numa nave-mãe capaz de lançar enxames de drones ou mísseis de cruzeiro do seu porão, sem modificações estruturais permanentes. Um programa bastante avançado, uma vez que a Direção Geral de Armamento (DGA) francesa já validou testes de lançamento de drones de um A400M em janeiro de 2026.
Do simples navio de carga ao arsenal voador
No papel, a operação parece uma carga militar padrão. Paletes específicas transportam as munições – drones ou mísseis – acompanhadas dos seus sistemas de entrega. Em pleno vôo, um paraquedas extrai o conjunto pela rampa traseira do avião. As máquinas se estabilizam, ejetam individualmente, ligam a propulsão e avançam em direção aos seus alvos, enquanto o A400M segue seu caminho.

O dispositivo poderia, portanto, lançar até 50 drones de médio porte ou 12 mísseis de cruzeiro. A Airbus toma como referência o Taurus KEPD 350, um míssil com alcance superior a 500 quilómetros, concebido para destruir bunkers e infraestruturas fortemente protegidas. Esta configuração modular é uma grande vantagem: nada precisa ser consertado sob as asas, nada precisa ser modificado em profundidade. O kit entra no porão e a aeronave pode retornar à sua função de transporte logístico em alguns instantes.
A DGA já deu o passo
A Airbus recusa-se a nomear o cliente que financia este desenvolvimento. Mas as pistas estão se acumulando. Em janeiro de 2026, a DGA realizou uma campanha de testes lançando 72 modelos representativos de drones de um A400M: 51 pela rampa traseira e 21 pela porta lateral, durante três voos separados. E em 14 de abril de 2026, o General Jérôme Bellanger, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e Espacial, declarou perante a Assembleia Nacional que o porão do A400M estava destinado a se tornar um “verdadeiro sistema de combate”. A referência ao Taurus, o míssil carro-chefe da Luftwaffe alemã, também mantém a trajetória germânica. Talvez os dois ao mesmo tempo.
Uma estratégia militar redesenhada para a Europa
Esta transformação ocorre num contexto militar em rápida mudança, largamente influenciado pelas lições do conflito ucraniano. A estratégia de ataque de longa distância, precisa e sem exposição direta dos pilotos, é agora óbvia. Os americanos já tinham traçado este caminho com o seu programa Rapid Dragon, que permite lançar mísseis JASSM-ER de C-17 e C-130, com um primeiro disparo real conclusivo no final de 2021. A Europa está a começar, por sua vez, com os seus próprios meios.
O cálculo estratégico é considerável. Mais de 130 A400Ms já foram entregues na Europa, incluindo 25 na França, de um pedido total de 50. Cada um deles poderia potencialmente integrar este módulo sem investir em uma nova frota. Em teoria, quatro aeronaves coordenadas poderiam lançar até 48 mísseis em uma única onda, sem um único caça no circuito.
Um avião com muitas vidas
Essa modularidade abre perspectivas ainda mais amplas. O mesmo princípio tornaria possível integrar capacidades de guerra electrónica, um retransmissor de comunicações por satélite, ou transformar o dispositivo num bombardeiro de água capaz de lançar 20 toneladas de líquido retardador. Um kit já testado com sucesso em Nîmes-Garons em abril de 2025. E se quisermos medir até onde o A400M pode ultrapassar os seus limites, basta lembrar que em 2026, um Atlas aterrou sem equipamento especial numa pista de gelo natural na Gronelândia a -25°C, onde aviões americanos só podem aterrar com esquis.
O A400M, já notável pela sua versatilidade, prepara-se para se tornar uma ferramenta multifuncional central no sistema de defesa europeu. Os próximos anos dirão qual país foi o primeiro a dar o passo operacional.
👉🏻 Acompanhe notícias de tecnologia em tempo real: adicione 01net às suas fontes no Google e assine nosso canal no WhatsApp.