
Desperdício, poluição, mingau, desperdício. Em suma, o termo inglês “slop” designa algo desagradável. Para grande consternação dos internautas que se deparam com isso cada vez com mais frequência. Porque “AI slop”, para usar a fórmula completa, abrange o acúmulo de textos, imagens, músicas, montagens, vídeos gerados pela inteligência artificial e que desordenam a internet.
Conteúdo de baixa qualidade, absurdo, aberrante, às vezes engraçado, mas muitas vezes enganoso, como deepfakes, perfis falsos em redes sociais ou blogs, imagens falsas de receitas culinárias, paisagens idílicas ou decoração de interiores. O exemplo emblemático do fenômeno poderia ser o “Jesus camarão”, ou “Jesus camarão”, uma representação de Jesus Cristo em… camarão. E suas variações envolvendo tartarugas….
Conteúdo produzido em massa
Esse conteúdo se tornou tão consubstancial na internet hoje que o dicionário americano Merriam-Webster decidiu, em 14 de dezembro de 2025, elevar a palavra “slop” ao posto de palavra do ano de 2025. Slop é definido como “conteúdo digital de baixa qualidade normalmente produzido em massa através de inteligência artificial”.
A noção de “produção em massa”, mas também de produção rápida e de baixo custo (ou seja, em poucos prompts) é de fato característica da IA residual. O objetivo é saturar o espaço digital para subir nos motores de busca ou algoritmos de recomendação, circular o máximo possível online e ser partilhado nas redes sociais para captar a atenção do internauta, aumentar o número de “seguidores” e beneficiar das receitas publicitárias geradas por este público. Tudo à custa de um conteúdo mais polido e interessante.
É um pouco como spam em caixas de correio eletrônico, que literalmente abafa mensagens importantes e/ou interessantes. Na Índia, no Vietname, nas Filipinas e no Paquistão, foram criadas “slop farms” para este fim, para aproveitar o programa Creator Bonus do Facebook, que paga pelos conteúdos mais virais, conforme revela o site 404media.
TikTok e Pinterest tomados de assalto
Este termo “slop” foi popularizado por um cientista da computação britânico em seu blog em 2024, na esteira do uso massivo de ferramentas generativas de inteligência artificial, como Dall-E, Midjourney (para imagens) e ChatGPT (para texto).
O fenômeno tomou conta particularmente do TikTok, Instagram e Pinterest, a tal ponto que o primeiro e o terceiro oferecem aos seus usuários, desde o outono de 2025, a possibilidade de ativar opções de filtragem de vídeos gerados por IA, mesmo que estejam longe de ser infalíveis. Em Agosto do mesmo ano, o diário britânico O Guardião observou que entre os 100 canais do YouTube que mais crescem, 9 transmitem apenas vídeos gerados por IA.
Sem falar que os próprios gigantes da tecnologia contribuem diretamente: em outubro de 2025, em uma corrida acirrada com Meta ou Google, a OpenAI lançou um aplicativo de rede social dedicado à geração de vídeos com o modelo interno, Sora. Uma espécie de TikTok deepfake… A avalanche de “slop” não demorou muito (aleatoriamente: Jesus jogando Minecraft)
O problema não termina aí. Como os algoritmos de IA generativos são treinados com dados recolhidos na Internet, o risco de serem cada vez mais treinados em “slop” e, portanto, de gerarem “slop” está longe de ser apenas teórico. Um cenário catastrófico que, para alguns, levaria diretamente a uma “internet zumbi”. Mas com muito de Jesus nele.