
O Conselho de Estado decidiu terça-feira a favor do Estado contra uma associação de famílias que contestou o acompanhamento da saúde de bebés que consumiram leite infantil recolhidos por risco de contaminação com a toxina cereulide.
As recomendações de vigilância da saúde postas em prática pelo Estado não são “suscetíveis de prejudicar gravemente o direito à vida e a proteção da saúde”, considera em particular o Conselho de Estado, que rejeita um pedido provisório do coletivo Intox’Alim.
Este coletivo reúne diversas famílias que enfrentam intoxicações alimentares, tendo como pano de fundo uma vasta onda de recolhas de leite infantil que já dura há mais de dois meses.
Em França, foram notificadas três mortes entre bebés que consumiram leite visado pelos recalls, bem como cerca de dez hospitalizações.
Nenhuma ligação causal foi identificada ainda, mas a cereulide foi detectada em amostras colhidas de um bebê hospitalizado pela primeira vez na semana passada.
A Intox’Alim contestou as recomendações feitas aos cuidadores e hospitais para justificar uma suspeita de envenenamento num bebé hospitalizado.
O Conselho de Estado adoptou os argumentos das autoridades de saúde nesta matéria, salientando que estas recomendações só podem ser “sintéticas” e que, em qualquer caso, não têm impacto directo no cuidado dos bebés.
Um bebê será tratado da mesma forma em caso de envenenamento por cereulide ou gastroenterite grave.
Acima de tudo, embora a Intox’Alim e outras associações acusem o Estado de procurar minimizar as consequências para a saúde destas recolhas, o Conselho julga que as recomendações, nomeadamente em torno da conservação, ou não, de caixas de leite, não prejudicarão a capacidade das famílias de intentarem acções judiciais.
As recomendações oficiais “não podem de forma alguma obstar às análises e medidas cautelares que possam ser ordenadas pelos tribunais no âmbito dos procedimentos nele instaurados”, julga a instituição.
A questão do leite infantil começou com o recall pela Nestlé de dezenas de lotes em cerca de sessenta países devido à presença potencial de cereulide, uma toxina que pode causar vómitos perigosos num recém-nascido.
Depois, cresceu com uma cascata de recalls semelhantes por parte de fabricantes como Danone ou Lactalis, mas também de participantes menores neste mercado em crescimento. Ponto comum, um ingrediente – um óleo rico em ácido araquidônico – fornecido pelo mesmo subcontratado chinês.