A tempestade Fung-wong transformou-se no domingo num “supertufão” e aproxima-se das Filipinas, fustigada pela chuva e pelo vento, menos de uma semana depois de já ter sido devastada pelo tufão Kalmaegi.

Fung-wong, cujo diâmetro cobre praticamente todo o país, dirige-se para o arquipélago vindo de leste com ventos de 185 km/h, ou mesmo 230 km/h no pico. Espera-se que chegue à costa durante a noite, de acordo com o Serviço Meteorológico Nacional.

“As ondas começaram a rebentar por volta das 7h (23h GMT de sábado). Quando atingem o quebra-mar, parece que o chão está tremendo”, disse Edson Casarino, morador da ilha de Catanduanes (nordeste).

“Caem fortes chuvas e o vento sopra”, acrescentou este homem de 33 anos contactado por telefone pela AFP.

A pequena ilha corre o risco de ser duramente atingida por Fung-wong, alertou o serviço meteorológico.

No sábado, os moradores tentaram ancorar as suas casas ao solo com cordas na esperança de resistirem às rajadas, segundo imagens divulgadas nas redes sociais.

  (AFP - Erwin MASCARINAS)
(AFP – Erwin MASCARINAS)

Mais a sul, na ilha de Mindanao, as inundações causadas pelas fortes chuvas ligadas à chegada de Fung-wong interromperam o trânsito no sábado e levaram à evacuação preventiva dos residentes, notou um fotógrafo da AFP.

Em Sorsogon, no sul da ilha principal de Luzon, alguns encontraram refúgio numa igreja no sábado, notou uma equipa da AFP.

“Estou aqui porque as ondas perto da minha casa estão enormes agora. Moro perto da costa e os ventos lá estão muito fortes agora”, disse uma delas, Maxine Dugan.

Na província costeira de Aurora, a nordeste de Manila, as equipes de resgate foram de porta em porta no domingo para pedir aos moradores que se deslocassem para locais mais elevados, segundo testemunhas.

– Acumulações de 200 milímetros –

Espera-se que Fung-wong produza “chuvas de 200 milímetros ou mais, que podem causar inundações generalizadas, não apenas em áreas baixas”, disse Benison Estareja, meteorologista do governo, em entrevista coletiva.

“É possível que nossas bacias hidrográficas mais importantes transbordem”, alertou.

Este supertufão irá varrer o arquipélago poucos dias depois de Kalmaegi, responsável por pelo menos 204 mortos e 109 desaparecidos no país, segundo os últimos números do governo, sendo o tufão mais mortífero do ano, segundo a base de dados especializada EM-DAT.

A província de Cebu (centro) concentra quase 70% das vítimas e as operações de socorro foram suspensas no sábado devido à chegada de Fung-wong.

“Não podemos colocar nossos socorristas em perigo. Não queremos que eles sejam as próximas vítimas”, disse à AFP Myrra Daven, oficial de resgate na região.

Todos os anos, cerca de 20 tempestades ou tufões atingem ou aproximam-se das Filipinas, sendo as regiões mais pobres geralmente as mais gravemente afetadas.

Segundo os cientistas, o aquecimento global causado pela actividade humana está a tornar os fenómenos climáticos extremos mais frequentes, mais mortíferos e mais destrutivos.

Kalmaegi também ceifou cinco vidas no Vietnã, que atingiu enquanto enfraquecia após devastar as Filipinas.

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *