Na literatura científica, existem várias centenas de casos de fetos fossilizados descobertos em mulheres de meia-idade ou de idade avançada. Mas o que torna este caso excepcional é que foi descoberto após a morte do paciente. Sua história foi descrita por médicos do hospital Aristide Le Dantec (Dakar, Senegal) em artigo publicado na revista Revista de Ciências Forenses em maio de 2022.
O corpo pode tolerar um feto morto por mais de 50 anos
No Senegal, uma mulher de 72 anos foi ao pronto-socorro por causa de fortes dores de estômago. Ela contou aos médicos que havia recebido uma pancada violenta no estômago algumas horas antes, durante uma briga com o enteado. Um ultrassom foi realizado para verificar se o golpe havia causado danos internos. O exame revelou a presença de massa abdominopélvico volumoso com calcificações. Diante desses resultados, os médicos prescreveram então uma tomografia computadorizada, mas esta não foi realizada porque o paciente não tinha como pagar.
Por falta de leitos disponíveis para internação (devido à pandemia de Covid-19), o septuagenário foi encaminhado para casa com receita de analgésico. Dois dias depois de voltar para casa, ela foi encontrada morta em sua cama. UM autópsia foi solicitado pela polícia para determinar as circunstâncias e a causa de sua morte.
Durante a autópsia, o médico forense não observou nenhum trauma externo que pudesse ter sido causado durante a discussão. Por outro lado, na análise interna, detectou um derrame de pus de meio litro noabdômen e uma perfuração na última parte do intestino delgado. Mas isso não é tudo. O praticante descobriu a presença de um feto calcificado, também chamado de litopédio. Este é um feto de um gravidez ectópica (tendo começado numa trompa de Falópio) que não chegou a termo.

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Este feto morreu antes de ser expulso, sem que a mãe soubesse que estava grávida. Quando um feto morto não é expelido, ele calcifica e o corpo pode tolerar isso por mais de 50 anos.

Foto do feto calcificado encontrado no estômago da paciente. © Revista de Ciências Forenses
A gravidez terminou no dia 9e mês de gravidez
Nesta mulher senegalesa, o feto calcificado estava preso acima do umbigo. Media 15 centímetros e pesava 750 gramas. Medindo o comprimento do fêmuros médicos conseguiram estimar o duração de gravidez: isso teria parado na 37ª semana de amenorréia, portanto no início da 9ªe mês.

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Nesta fase da gravidez, o feto está bem formado. Lá raio X do litopédio permitiu visualizar seu esqueleto completo enrolado sobre si mesmo, posição clássica dos bebês dormindo no ventre materno. O falecido estava casado há mais de 30 anos, mas não tinha filhos. Então ela nunca soube que estava grávida.
O feto calcificado causou indiretamente a morte do paciente. No laudo, os médicos explicam que o golpe recebido no abdômen fez com que o litopédio se movimentasse. Ao se mover, este, pesado e muito sólidoperfurou a parede dointestino delgado. Foi essa lesão que foi fatal para ele. A morte do paciente, ocorrida 72 horas após a briga, foi considerada homicídio.