E se o espião mais excessivo dos anos 60 não fosse James Bond? Com Derek Flint, Hollywood tentou levar tudo ao máximo – até criar um herói tão fascinante quanto esquecido.
No auge do fenômeno James Bond, os estúdios americanos não resistiram ao impulso de oferecer sua própria versão do carismático espião. Desta ambição nasceu Derek Flint, um personagem que hoje está largamente esquecido, apesar de uma abordagem que leva ao extremo todos os códigos do género.
Pensado como uma resposta direta ao sucesso internacional de 007, Flint destaca-se imediatamente pelo excesso. Onde Bond seduz, acumula conquistas a ponto de viver rodeado de um verdadeiro harém. E suas habilidades vão muito além das de um simples agente secreto: condecorado com a Croix de Guerre, ele “foi objeto de três citações em um mês”, e até os computadores confirmam que ele é o homem ideal para resolver as crises mais graves.
Raposa do século 20
Um anti-Bond levado ao extremo
As questões seguem a mesma lógica de amplificação. Embora as aventuras de Bond na época ainda dependessem de tramas relativamente credíveis – sabotagem espacial, espionagem tecnológica ou ameaças nucleares – Flint evoluiu num universo onde todo o planeta estava em perigo.
Para interpretar este herói extraordinário, a escolha recaiu sobre James Coburn. Antes de acessar este primeiro papel, o ator havia se destacado em diversas produções, notadamente em Os Sete Mercenários, depois em diversos papéis coadjuvantes no cinema após ter feito inúmeras aparições em séries de faroeste. Foi só aos 37 anos que a sua carreira realmente decolou e Flint marcou uma viragem decisiva.
Raposa do século 20
Embora o ritmo do filme possa parecer desatualizado hoje, seu diretor, Daniel Mann, consegue capturar a essência dos filmes de espionagem populares da época: cenários exóticos, gadgets, tensão internacional e heróis imperturbáveis. Todos os ingredientes se unem para seduzir o público.
Um sucesso deslumbrante… antes do esquecimento
E o sucesso está aí. Lançado em 1966, um ano sem uma nova obra de James Bond – depois de Goldfinger em 1964 e Operation Thunder em 1965 – Our Man Flint atraiu enormemente os espectadores. Com base nesse entusiasmo, uma sequência intitulada F for Flint viu a luz do dia no ano seguinte. O projeto mudou de direção, assumindo Gordon Douglas, e se destacou notavelmente por uma produção realizada sem roteiro finalizado. Apesar disso, o filme mais uma vez teve grande sucesso, para surpresa até do estúdio.
Uma terceira parte foi posteriormente considerada, mas nunca verá a luz do dia. Como Coburn explicou mais tarde, isso só teria sido possível “se o roteiro fosse muito bom e fossem contratados os melhores diretores” (…). Por fim, o projeto foi abandonado. “Não deu certo”, conclui, “já não queriam produzir qualidade.”
Nosso homem Flint será (re)descoberto no VOD.
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