São Paulo, a cidade mais populosa da América Latina e o coração económico do Brasil, é atingida pela pior seca da última década, que ameaça o abastecimento de água aos 22 milhões de habitantes desta megalópole.

As medidas de racionamento já implementadas pelas autoridades poderão se intensificar, enquanto a precipitação está há três anos consecutivos abaixo da média calculada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O reservatório Jaguari-Jacareí, o maior da região, localizado no nordeste de São Paulo, estava cheio nesta terça-feira com apenas 18% de sua capacidade, segundo a Agência Nacional de Águas.

Um cachorro caminha nas margens secas da barragem Jaguari-Jacarei, em Joanópolis, a cerca de 123 km de São Paulo, Brasil, em 12 de dezembro de 2025, durante uma seca que afeta o estado de São Paulo. (AFP/Arquivos - Nelson ALMEIDA)
Um cachorro caminha nas margens secas da barragem Jaguari-Jacarei, em Joanópolis, a cerca de 123 km de São Paulo, Brasil, em 12 de dezembro de 2025, durante uma seca que afeta o estado de São Paulo. (AFP/Arquivos – Nelson ALMEIDA)

Este nível crítico aproxima-se do da seca de 2014, que mergulhou São Paulo numa das piores crises hídricas da sua história.

Jornalistas da AFP notaram que o nível caiu tanto que grande parte do reservatório estava seco, com água fluindo em riachos escassos. Vastas áreas de terra rachada estendem-se para a área circundante.

“Desde agosto, o nível da água continua caindo. É realmente assustador”, disse à AFP Daniel Bacci, proprietário de uma pousada perto da barragem.

“Na semana passada choveu um pouco, mas não o suficiente para elevar o nível”, lamenta.

Contudo, as previsões meteorológicas indicam um aumento do volume de precipitação nos primeiros meses de 2026, o que poderá amenizar a situação.

A partir de Outubro, as autoridades locais implementaram um plano de racionamento de água, reduzindo a pressão nas tubagens por períodos de até 16 horas por dia.

Se a situação se deteriorar ao ponto de os níveis de água atingirem perto de zero nas barragens, poderão ser tomadas medidas mais drásticas, tais como cortes rotativos no abastecimento.

O padrão de precipitação mudou em São Paulo nas últimas décadas, o que os especialistas atribuem às mudanças climáticas, entre outras coisas. As chuvas são menos abundantes que a média anual, mas mais violentas durante a estação chuvosa.

Na semana passada, trovoadas acompanhadas de violentas rajadas de vento causaram o caos em São Paulo, privando centenas de milhares de pessoas de energia elétrica durante vários dias e provocando o cancelamento de centenas de voos.

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