Quando adolescente, a americana Heidi Tarr visitava uma cabine de bronzeamento várias vezes por semana com as amigas, para parecer uma celebridade. Anos depois, ela sobreviveu ao melanoma e participou de um estudo que mostrou triplicar o risco desse câncer com essas cabines.

“Todo mundo queria aquela pele bonita e bem bronzeada”, disse à AFP o especialista em pesquisas de mercado, de 49 anos, durante uma videochamada de Chicago. Mas um dia, quando Heidi Tarr tinha trinta e poucos anos, ela notou uma verruga estranha nas costas.

Era o melanoma, o câncer de pele mais mortal. Este tumor se parece com uma pinta, muitas vezes com certas características (assimetria, bordas irregulares, múltiplas cores, aumento ou alteração na aparência).

Heidi Tarr percebeu isso a tempo, mas teve que passar por uma dúzia de operações para remover outras toupeiras.

Hoje, sua filha de 15 anos, Olivia, assiste a vídeos populares no TikTok de pessoas exibindo suas marcas de bronzeado e pergunta à mãe como consegui-las também.

Heidi Tarr decidiu, portanto, remover outro fragmento de pele, desta vez para pesquisa.

A principal lição deste estudo, publicado sexta-feira na revista Science Advances: as pessoas que usam câmaras de bronzeamento artificial têm quase três vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de pele.

Os investigadores também identificaram pela primeira vez precisamente como estes equipamentos de bronzeamento artificial causam mutações no ADN da pele, tornando os seus utilizadores mais vulneráveis ​​ao cancro.

Segundo a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), que depende da Organização Mundial de Saúde (OMS), o melanoma cutâneo, que está a aumentar, é atribuível em mais de 80% dos casos à exposição aos raios ultravioleta (UV). Alguns UV, solares, são naturais, os de cabines de bronzeamento artificial.

Pedram Gerami, dermatologista e pesquisador da Universidade Americana de Northwestern (Illinois), começou a se interessar por este assunto, explicou à AFP, quando viu um número “excepcionalmente” alto de mulheres jovens chegando à sua clínica com vários melanomas. Às vezes, em partes do corpo normalmente “relativamente protegidas do sol”.

Depois de comparar os registros médicos de 3.000 pessoas que usaram cabines de bronzeamento com os de pessoas da mesma idade que não usaram, sua equipe concluiu que o melanoma havia sido diagnosticado em 5% dos usuários de cabines, em comparação com 2% no outro grupo.

– Danos celulares –

Depois de levar em conta vários fatores (idade, histórico de queimaduras solares, histórico familiar, etc.), os pesquisadores estimaram que os usuários de camas de bronzeamento artificial tinham 2,85 vezes mais probabilidade de desenvolver melanoma.

Estas pessoas também pareciam mais propensas a desenvolver este cancro em áreas do corpo normalmente protegidas do sol, como a parte inferior das costas e as nádegas.

Para tentar medir a extensão dos danos causados ​​pelas câmaras de bronzeamento ao DNA das células da pele, os cientistas sequenciaram 182 biópsias, incluindo a de Heidi Tarr.

Eles usaram uma nova tecnologia para examinar especificamente os melanócitos, células da camada superficial da pele cuja proliferação cria uma pinta.

Resultado: os melanócitos dos usuários de solários tiveram quase o dobro de mutações.

E “os utilizadores de cabines de bronzeamento com idades entre os 30 e os 40 anos tinham muito mais mutações do que as pessoas da população em geral com idades entre os 70 e os 80 anos”, destacou o coautor do estudo, Dr. Bishal Tandukar, num comunicado de imprensa.

De acordo com a IARC, que classifica o risco de cancro das camas de bronzeamento no mesmo nível do tabagismo e do amianto, o melanoma matará quase 60.000 pessoas em todo o mundo em 2022.

Alguns países, como Austrália e Brasil, proibiram essas cabines. Outros, como o Reino Unido e a França, proibiram-nos para menores de 18 anos. Nos Estados Unidos, depende do estado.

“No mínimo, devemos proibi-los para menores”, argumentou Gerami. Heidi Tarr “recomenda fortemente não usá-los”. E para ex-usuários regulares, ela aconselha inspecionar a pele, ou até mesmo consultar um dermatologista.

“Se você quer uma tez bronzeada, é melhor usar autobronzeador”, diz ela.

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