Ucrânia planeja criar uma força espacial nos próximos anos
A Ucrânia está a preparar a criação de um novo corpo das forças armadas dedicado ao espaço, explicou Fedir Venislavsky, vice-membro do comité Verkhovna Rada sobre segurança nacional, defesa e inteligência, numa entrevista à mídia RBC-Ucrânia na segunda-feira.
Segundo ele, este projecto responde a uma vulnerabilidade estratégica revelada pela guerra contra a Rússia, nomeadamente face à utilização de mísseis como o míssil balístico de médio alcance Orechnik, que escapa às actuais capacidades da defesa aérea ucraniana.
Kiev pretende implantar uma constelação de satélites – radar, ópticos e telecomunicações – a fim de garantir a vigilância em tempo real do campo de batalha e de ter comunicações seguras independentes de parceiros estrangeiros.
Fedir Venislavsky afirmou ainda que unidades de inteligência militar ucranianas já haviam realizado, durante a guerra, dois lançamentos experimentais de vetores atingindo o espaço, a mais de 100 km e depois 204 km de altitude, bem como testes de lançamento de mísseis de um avião de transporte a 8.000 metros, tecnologia que poderia servir como “cosmódromo aerotransportado”.
“Temos mísseis que quase ninguém conhece, mas que são capazes de atingir o território inimigo a distâncias de até 500 quilómetros e voar a velocidades hipersónicas. Utilizamo-los com sucesso. Mas o seu principal objectivo é realizar operações extraordinárias, nomeadamente as que acabámos de mencionar.explica o deputado.
Em última análise, a Ucrânia deseja desenvolver capacidades de intercepção cinética para neutralizar mísseis antes que as suas ogivas se separem, idealmente para além da linha Karman, ” fronteira “ de espaço localizado a 100 km do solo.
O custo inicial continua elevado – entre 20 e 50 milhões de dólares por satélite – e exigirá cooperação internacional, mesmo que Kiev afirme ter conhecimentos industriais e científicos suficientes.
O lançamento operacional das forças espaciais poderá demorar entre três e cinco anos, com resultados iniciais esperados no primeiro ano, disse Venislavsky, sublinhando que estas capacidades também poderão ter utilizações civis após a guerra.