
Donald Trump anunciou na quinta-feira que estava reclassificando a maconha como uma substância viciante menos perigosa, uma decisão que visa encorajar a pesquisa médica sem abrir imediatamente à descriminalização em nível federal.
O presidente norte-americano garantiu que “as pessoas estavam a implorar-lhe” para tomar esta decisão, referindo-se em particular às pessoas que sofrem de dores crónicas.
Isto “não é de forma alguma uma descriminalização” da maconha para outros usos que não os medicinais, esclareceu ele antes de assinar o decreto.
“Sempre disse aos meus filhos: não usem drogas, não bebam, não fumem”, acrescentou Donald Trump.
Esta é uma decisão de “bom senso”, disse um alto funcionário do governo em conversa com a imprensa.
Ela lembrou que a maconha e os produtos à base de CBD (molécula extraída da cannabis conhecida por suas propriedades relaxantes) já eram usados nos Estados Unidos por muitos pacientes que sofrem de dores crônicas.
A maioria dos estados americanos autoriza o consumo de cannabis para fins médicos e mais de 20 deles também legalizaram o seu uso recreativo.
– Restrições reduzidas –
Este anúncio deverá, nomeadamente, permitir a realização de mais investigação sobre os riscos de dependência associados a estas substâncias, afirmou o gestor.
Além disso, “milhões” de beneficiários do seguro de saúde público para maiores de 65 anos (ou Medicare) poderão receber prescrição gratuita de produtos à base de CBD a partir da próxima primavera, anunciou Mehmet Oz, que gere este plano de seguro de saúde.
Embora quase três quartos dos norte-americanos vivam num estado onde esta droga é legal, esta nova classificação manterá a “criminalização a nível federal”, observou num comunicado de imprensa Cat Packer, responsável da organização CRCC, uma coligação de responsáveis locais envolvidos nestas questões.
Este anúncio “está longe de responder às reformas necessárias”, lamentou, garantindo que “o povo americano apoia esmagadoramente a legalização e o fim da criminalização federal da cannabis”.
Esta medida poderá, no entanto, ter repercussões económicas significativas, ao aliviar as restrições impostas às empresas que cultivam ou comercializam cannabis.
No detalhe, a maconha deve passar da categoria 1, a mais alta da nomenclatura, para a categoria 3.
A categoria 1 inclui heroína, LSD ou ecstasy, enquanto a categoria 3 inclui substâncias com risco moderado a baixo de dependência, como certos medicamentos contendo codeína.
A cannabis, que é um derivado do cânhamo, foi classificada na categoria 1 em 1970, sob a influência do presidente republicano Richard Nixon, que declarou uma “guerra total contra as drogas ilícitas”.
Esta proposta de reclassificação estará, no entanto, sujeita à decisão da American Drug Enforcement Agency (DEA).
O ex-presidente democrata Joe Biden pressionou por tal medida, mas a mudança não se concretizou.