eudemissão prematura [annoncée en février] de François Villeroy de Galhau, governador do Banco de França, dá ao Presidente da República a oportunidade única de nomear o seu sucessor. Dada a importância da instituição, tal privilégio de nomeação não pode acomodar uma lógica de fim de reinado. Requer uma reflexão lúcida da evolução do papel do banco central face aos desafios da soberania energética, geopolítica e digital.

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Na verdade, como afirmou recentemente [le Néerlandais] Frank Elderson [membre du directoire de la Banque centrale européenne] em coluna publicada no Tempos Financeirosas consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz confirmam uma realidade brutal já vivida em 2022: a estabilidade dos preços depende fortemente da nossa dependência dos combustíveis fósseis. Perante esta “fossilflação”, o Banco Central Europeu (BCE) vê-se confrontado com um dilema: se aumentar as taxas, a política monetária sacrifica o crescimento e atrasa os investimentos necessários à transição (como mostrou este estudo recente). Por outro lado, se não agir, o BCE arrisca a sua credibilidade.

Novas respostas devem ser imaginadas para superar este dilema. Em linha com o discurso do Presidente da República na COP28 no Dubai, seria altura de pensar em estabelecer uma diferenciação entre o custo de capital para os “verdes” e para os “castanhos”. Tal como as políticas de crédito à exportação operadas pelo Bundesbank e pelo Banque de France até à década de 1990, os instrumentos de política monetária e prudencial podem ser redistribuídos, por exemplo, para encorajar empréstimos bancários na renovação e electrificação, cuja massificação contribuiria para reduzir as pressões inflacionistas através dos preços da energia.

Exercícios de caminhada na corda bamba

Sob a liderança de François Villeroy de Galhau, o Banque de France estabeleceu-se como um líder pioneiro em questões climáticas. Esta avaliação é uma conquista valiosa, saudada tanto pelas organizações ambientais não-governamentais como por um relatório da Assembleia Nacional [en décembre 2025]. Mas dadas as ameaças geopolíticas, a situação exige uma resposta mais proactiva em matéria de energia do que limitar-se a apoiar o sector financeiro na tomada em consideração dos riscos financeiros relacionados com o clima.

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