Nasceu por volta de 1932 no Brasil, no estado de Mato Grosso, no coração do território nativo natural de Capoto-Jarina, Raoni Metuktire, cujo nome verdadeiro é Ropni Metuktire, passou uma infância nômade no seio da natureza, acompanhando sua tribo em suas viagens, descobrindo dia após dia a riqueza da flora e da fauna.

Aos 15 anos, ele instalou um labret, um grande disco de madeira pintado cerimonialmente, sob o lábio inferior, como fizeram seus ancestrais antes dele. Este ornamento, bem como o tradicional toucado que ele porta permanentemente, mais tarde se tornaria sua “marca registrada”.

Contratado no final doadolescência na proteção dos ecossistemas, Raoni intensificou, desde a década de 1970, ações em favor da backup estilos de vida tradicionais e a proteção dos territórios indígenas, grandes reservatórios de biodiversidade.

Ao denunciar o desmatamento ilegal, as atividades de mineração e construção novas barragens hidráulicas em terras ancestrais, Raoni conseguiu atrasar, e até impedir, diversos projetos ambientalmente destrutivos.

Cacique Raoni, guardião da Amazônia. © 13h15 Domingo, França 2

Um lutador pela ecologia

Em 1977, após vários anos de luta, Raoni começou a ganhar fama quando o diretor belga Jean-Pierre Dutilleux fez um documentário sobre ele. A presença de Marlon Brando nos créditos, que fez a narração da versão em inglês do filme, atraiu a atenção da mídia internacional, transformando da noite para o dia o líder dos Kayapó em porta-voz da salvação da Amazônia. Raoni então entendeu que para que suas demandas fossem levadas em conta, elas precisavam ser visíveis.

Uma década depois, em 1987, o cantor Sting, também preocupado com o destino da Amazônia, visitou-o na reserva do Xingu. Este encontro permitiu a Raoni alcançar notoriedade mundial. No mesmo ano, participou com Sting numa conferência de imprensa da associação Amnistia Internacional, que levou à criação do Fundação Floresta Tropicalcuja missão é salvar as florestas tropicais.

O reconhecimento da sua luta a nível internacional dá-lhe a oportunidade de se encontrar com muitos chefes de Estado – nomeadamente François Mitterrand, Jacques Chirac e recentemente Emmanuel Macron – para lhes pedir o seu apoio, que muitos aceitarão.

Várias vitórias importantes

Em fevereiro de 1989, durante o primeiro encontro dos povos indígenas em Altamira, Raoni denunciou firmemente, diante das televisões de todo o mundo, um programa apoiado pelo governo brasileiro que previa a construção de um complexo de cinco hidrelétricas, cujas consequências teriam sido devastadoras. Alguns meses depois, o projeto foi abandonado. Pouco depois, ele também liderou a criação da maior reserva tropical do mundo, maior que a Coreia do Sul.

Em 2015, durante a COP 21 em Paris, alertou para o “crime do ecocídio”, apontando o desaparecimento acelerado de espécies espécies animais e vegetais, não só no continente sul-americano, mas em todo o planeta, participando assim na consideração da biodiversidade nas políticas climáticas. Em 2023, obtém a demarcação físico do território Kayapó, validado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas, que permite proteger milhares de hectares de floresta.

Um legado intergeracional

Por meio de seus diversos discursos, habilmente orquestrados para obter significativa cobertura midiática, Raoni tem defendido constantemente um modelo de desenvolvimento sustentável que respeite o frágil equilíbrio entre a natureza e o ser humano. Ao longo da sua vida, e ainda hoje, ele alertou constantemente contra um ponto de não retorno ecológico e humano. Graças ao seu empenho, conseguiu proteger grandes áreas da floresta amazônica.

Seu maior feito militar é certamente ter conseguido transformar uma luta local em uma causa global, ao dar a conhecer ao mundo inteiro o estado crítico da floresta amazônica, pulmão verde essencial para o bom funcionamento do biosferaque, enquanto a COP 30 está em pleno andamento, deverá alertar-nos mais do que nunca. Porque é uma ameaça que não diz respeito apenas aos povos indígenas que vivem na Amazônia, mas a toda a humanidade, e esta é a mensagem que o Cacique Raoni Metuktire quer transmitir.

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