
A primeira conferência para a saída dos combustíveis fósseis terminou na quarta-feira, 29 de abril, na Colômbia. Aqui estão os principais pontos a recordar deste encontro de cerca de cinquenta Estados voluntários que deverá repetir-se no próximo ano em Tuvalu.
Roteiro
Desde o primeiro dia, a França destacou-se ao publicar um roteiro detalhando o seu plano para eliminar gradualmente todos os combustíveis fósseis – carvão, depois petróleo e, finalmente, gás – e tornar-se neutra em carbono em 2050. Segundo os observadores, nenhum outro país publicou um plano tão claro e abrangente, o que representa um sinal forte de uma grande potência económica. O anúncio francês também foi criticado porque não se baseia em novos compromissos, mas em programas já anunciados e em curso.
Outras nações apontaram para o facto de não haver uma definição clara do que era ou não um roteiro, e argumentaram que também tinham calendários para a eliminação gradual das energias baseadas no carbono que contribuem para o aquecimento global, bem como objectivos para o desenvolvimento de energias renováveis e a descarbonização da indústria.
Segundo Leo Roberts, analista do think tank E3G presente no local, um roteiro nesta área deve basear-se na ciência e fazer da saída dos combustíveis fósseis “um princípio central de planeamento”, em torno do qual serão estruturadas outras políticas.
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Cientistas e “espaguete”
Um dos principais resultados da cimeira é a criação de um grupo de cientistas responsáveis por aconselhar governos, cidades ou regiões no planeamento da sua transição energética.
Um dos pilares deste grupo, o climatologista brasileiro Carlos Nobre, explicou à AFP que “fornecerá todas as soluções para implementar e financiar“políticas para sair dos combustíveis fósseis. Este novo Grupo Científico para a transição energética global foi apelidado de “espaguete“por causa de sua sigla, SPGET.
Zonas livres de petróleo
O conceito de zonas livres de hidrocarbonetos, que passa dos movimentos de cidadãos às conferências internacionais, encontrou terreno fértil em Santa Marta, a cidade portuária onde se realizou a cimeira.
Estas zonas pretendem abranger territórios – a Amazónia, a Bacia do Congo ou mesmo a floresta tropical indonésia – que, dada a sua importância ecológica, devem ser protegidos pelos governos, proibindo qualquer exploração e extracção de hidrocarbonetos. O grupo de especialistas do Earth Insight designa 58 dessas áreas em todo o mundo.
Nesse sentido, a Colômbia, por exemplo, proibiu no ano passado a extração de combustíveis fósseis e minerais na Amazônia colombiana para “pôr fim à expansão da fronteira extrativista“, apresentou a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Velez Torres, também anfitriã da cúpula de Santa Marta.
Nos vemos em Tuvalu em 2027
Colômbia passou a tocha para Tuvalu, muito pequeno EEstado insular no Oceano Pacífico, que acolherá a próxima cimeira sobre a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis em 2027. Esta ilha está seriamente ameaçada pela subida do nível do mar e sempre trouxe ao palco internacional a voz dos países pobres em perigo devido às alterações climáticas. “Esta viagem começou aqui, num porto de carvão no Mar das Caraíbas, e agora segue rumo ao Oceano Pacífico” disse Maina Talia, Ministra do Clima de Tuvalu.
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Os activistas apelam aos países para que compareçam em grande número à próxima conferência, apesar da distância. “O facto de o Pacífico estar longe não pode ser usado como desculpa“, disse Nikki Reisch, membro do gabinete do Centro de Direito Ambiental Internacional, à AFP em Santa Marta, enfatizando que “Os países insulares do Pacífico carregam constantemente o fardo de ter que ir a outros fóruns para tentar fazer ouvir as suas vozes“.