A segunda cimeira da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre medicina tradicional abre quarta-feira em Nova Deli, com a ambição de promover cientificamente certos tratamentos tradicionais utilizando novas tecnologias, incluindo inteligência artificial (IA).

A agência da ONU espera, em particular, tornar estas práticas, como a acupuntura, a medicina ayurvédica – nascida na Índia – ou os remédios à base de plantas – mais compatíveis com os sistemas de saúde modernos.

A medicina tradicional “não pertence ao passado”, sublinhou o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, num vídeo, a sua procura “continua a crescer entre países, comunidades e culturas”.

O anfitrião da reunião, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, esperava que esta “intensificasse os esforços para aproveitar” o seu potencial.

Ele próprio um adepto do yoga e de práticas médicas ancestrais, apoiou a criação em 2022 de um Centro Global de Medicina Tradicional da OMS em Jamnagar, no estado de Gujarat, de onde é natural.

Segundo Shyama Kuruvilla, diretor deste centro, o uso de remédios tradicionais é “uma realidade em todo o planeta”, sublinhando que “40 a 90% dos habitantes de 90% dos estados membros da OMS os utilizam”.

“Metade da população mundial não tem acesso a serviços básicos de saúde, a medicina tradicional é muitas vezes o cuidado mais próximo, ou mesmo o único, disponível para muitos”, explicou ela em entrevista à AFP.

No entanto, “menos de 1% do financiamento global da investigação em saúde é actualmente atribuído à medicina tradicional”, segundo a OMS.

A agência a define como a “soma de conhecimentos, habilidades e práticas baseadas em teorias, crenças e experiências específicas de diferentes culturas, explicáveis ​​ou não, utilizadas para manter a saúde, prevenção, diagnóstico ou tratamento” de doenças.

– “Momento crucial” –

Algumas destas virtudes nunca foram cientificamente estabelecidas e os conservacionistas dizem que a procura de determinados produtos alimenta o tráfico de espécies, nomeadamente tigres, rinocerontes e pangolins, ameaçados de extinção.

“O papel da OMS é, portanto, apoiar os países para garantir que a medicina tradicional… seja segura, baseada em evidências e integrada de forma equitativa nos sistemas de saúde”, disse Kuruvilla.

Ela lembra que “40% ou mais da medicina e dos produtos farmacêuticos ocidentais são derivados de produtos naturais”.

O professor da Universidade de Boston (Estados Unidos) cita a aspirina, derivada de formulações com casca de salgueiro, a pílula anticoncepcional, desenvolvida a partir de raízes de inhame selvagem, e tratamentos contra o câncer infantil à base de pervinca de Madagascar.

A OMS deve aproveitar esta cimeira para lançar aquele que apresenta como o maior repositório digital mundial de investigação sobre o tema, uma biblioteca contendo 1,6 milhões de referências científicas.

A investigação encontra-se num “momento crucial”, segundo Kuruvilla, e a tecnologia, incluindo a IA, permite aplicar rigor científico aos remédios tradicionais.

A chefe científica da OMS, Sylvie Briand, enfatizou a importância do papel que ela poderia desempenhar.

“Ele pode examinar milhões de compostos, ajudar-nos a compreender a estrutura complexa dos produtos à base de plantas e extrair constituintes relevantes para maximizar os benefícios e reduzir os efeitos adversos”, explicou ela durante uma coletiva de imprensa antes da cúpula.

“A ciência de ponta permite-nos construir esta ponte (…) entre o passado e o futuro”, disse a Sra. Kuruvilla.

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