euimpacto da inteligência artificial [IA] sobre emprego e produtividade é objecto de uma abundante literatura económica. Está a surgir um consenso: uma parte significativa das tarefas – cerca de 35% a 50% – será afetada pela IA; substituirá essencialmente trabalhadores bastante qualificados (mas não muito qualificados) e jovens; finalmente, gerará novas competências e novas necessidades de formação.
Mas muitas incertezas permanecem. Embora seja claro que o emprego diminuirá nos sectores onde a IA pode substituir directamente o trabalho humano, é no entanto muito mais difícil medir a sua extensão nos sectores onde complementa o trabalho – enriquecendo as tarefas em vez de as substituir – bem como naqueles onde o contacto humano e as relações profissionais desempenham um papel central.
A investigação sugere que a destruição de empregos terá lugar nas finanças, no comércio, nos transportes e na logística, na indústria transformadora e na informação. Por outro lado, a criação de emprego dirá principalmente respeito à saúde, aos serviços sociais, aos serviços empresariais e à educação. Podemos assim antecipar, em teoria, elevados ganhos de produtividade em sectores onde a IA e o emprego são substituíveis, bem como naqueles onde enriquece o conteúdo das tarefas, enquanto esses ganhos permaneceriam mais limitados em actividades onde as interacções humanas são essenciais.
Outra incerteza é o impacto da IA no crescimento. Depende certamente dos seus efeitos sobre o emprego, mas também de outros factores determinantes, sobretudo a extensão das políticas redistributivas e da partilha de rendimentos.
Efeitos tangíveis no emprego e na produtividade
Nos Estados Unidos, onde os mecanismos de redistribuição são limitados, as perdas de emprego são apenas parcialmente compensadas. Além disso, os ganhos de produtividade servem principalmente para aumentar os lucros das empresas e não os salários: o principal motor potencial do crescimento reside, portanto, no aumento do consumo das pessoas mais ricas. Na verdade, os desenvolvimentos recentes mostram que apenas os 10% dos agregados familiares mais ricos estão a registar um aumento significativo no seu consumo. Na Europa, pelo contrário, menores desigualdades de rendimento e políticas redistributivas mais desenvolvidas ajudam a mitigar o impacto do desenvolvimento da inteligência artificial no crescimento.
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