
O transbordamento do rio Piraí no final da semana passada no leste da Bolívia deixou pelo menos 20 mortos e mais de 2.000 famílias afetadas, anunciou segunda-feira o vice-ministro da Defesa Civil.
“Infelizmente, os dados oficiais mostram 20 mortos e dezenas de desaparecidos”, disse Alfredo Troche à Rádio Panamericana.
Um primeiro relatório divulgado no sábado apontou três mortos e oito desaparecidos devido às chuvas excepcionalmente intensas que afetaram principalmente as cidades de El Torno e La Guardia, nos arredores da cidade de Santa Cruz, capital econômica do país andino.
O presidente Rodrigo Paz instalou um “gabinete de crise”, estimando que as chuvas persistiriam, levando o país a “um período muito complexo”.
“Nestes primeiros dias da época das chuvas, batemos todos os recordes dos últimos 100 anos”, disse o chefe de Estado, que tomou posse no dia 8 de novembro.
A estação chuvosa na Bolívia geralmente começa em novembro e vai até abril.
O diretor do serviço de contenção e regulação de água do rio Piraí, José Antonio Rivero, estimou neste sábado que as chuvas extraordinárias provocaram uma “inundação histórica” na região, provocando inclusive o desabamento de uma ponte em El Torno.
“Muitas pessoas foram afetadas, a água destruiu fazendas, aldeias inteiras, precisamos de ajuda”, apelou Jorge Trelles, um caminhoneiro de 54 anos, à AFP neste domingo.
Muitas pessoas se abrigaram nos telhados das casas ou nas copas das árvores à espera de serem resgatadas.
“Meu filho acabou dormindo no telhado, salvando várias pessoas, inclusive um homem com uma perna deficiente que conseguiram içar para o telhado”, testemunhou Elia Castro Suarez, professora.
No período das chuvas anteriores, 51 pessoas morreram devido ao mau tempo, entre Novembro de 2024 e Abril de 2025, segundo dados oficiais.