Qual artista pode se orgulhar de ter influenciado Albrecht Dürer, Hans Baldung Grien, Lucas Cranach, o Velho, Michelangelo e até Rembrandt, entre muitos outros? Dürer chegou a fazer uma viagem especialmente para conhecê-lo, a Vieux-Brisach, a cidade fronteiriça do Reno, onde, depois de Colmar, onde nasceu, escolheu se estabelecer. Um pouco tarde: Martin Schongauer (por volta de 1445-1491) havia morrido alguns meses antes. Depois ele foi, se não esquecido, pelo menos deixado de lado pelos historiadores da arte. A tal ponto que, se o Museu do Louvre, que lhe dedica uma notável exposição – cerca de uma centena de obras, pinturas, desenhos e gravuras, incluindo 72 autógrafos, tal coleção nunca tivesse sido reunida – a tivesse intitulado “O Belo Imortal”, o título “O Belo Desconhecido” poderia legitimamente ter sido escolhido.
O apelido de “o belo Martin” foi dado a ele por Dürer. Não se trata, sem dúvida, de caracterizar o homem, que portanto não conheceu, mas da obra. Em pelo menos dois de seus desenhos, inspirados em Schongauer, ele escreveu, em alemão, “das Hubsch Martin”. Além disso numa época em que não odiávamos trocadilhos a primeira parte do seu nome Schöntinha o mesmo significado. A homenagem permanece, mas pouco se sabe sobre o artista: uma conferência no Louvre, no dia 18 de maio, resumirá novos conhecimentos sobre o artista. Pantxika Béguerie-De Paepe, curadora da exposição com Hélène Grollemund, curadora do departamento de artes gráficas do Louvre, dirigiu durante muitos anos o Museu Unterlinden, em Colmar, onde se guarda grande parte da sua obra e que é um dos grandes financiadores do evento. Ela passou boa parte da vida estudando-o e entrega os resultados de sua pesquisa no catálogo da exposição.
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