Ex-Ministro do Interior, Claude Guéant, no julgamento de Nicolas Sarkozy no caso do financiamento líbio da sua campanha presidencial, no tribunal de Paris, 29 de setembro de 2025.

Claude Guéant ficou bastante irritado com os ataques de Nicolas Sarkozy. O antigo Presidente da República sublinhou repetidamente, na semana passada, durante o seu interrogatório no julgamento de recurso sobre suspeitas de financiamento líbio da sua campanha de 2007, a discrepância entre o prefeito jansenista que conhecia e o que descobriu no processo. Ele também sugeriu, em palavras pouco veladas, que seu “colega mais próximo” recorreu fortemente a fundos líbios. O ex-secretário-geral do Eliseu, demasiado doente para comparecer às audiências, enviou-lhe em resposta uma carta bastante seca de três páginas, em nove pontos, datada de 11 de abril, o que constitui sem dúvida um ponto de viragem no julgamento.

A defesa dos principais réus, apesar de certas implausibilidades, teve o mérito de ser corriqueira. Nicolas Sarkozy nada saberia das incómodas visitas a Trípoli, em 2005, do seu chefe de gabinete, Claude Guéant, e do seu melhor amigo, Brice Hortefeux, ao chefe dos terroristas líbios, Abdallah Senoussi, condenado à revelia à prisão perpétua em França, em 1999, pelo ataque, dez anos antes, ao UTA DC-10, que provocou 170 mortos. A regularização do destino jurídico deste cunhado do coronel Gaddafi foi, para o Ministério Público, uma das condições para financiar a campanha presidencial do candidato Sarkozy.

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