
Eles estão unidos, entusiasmados e talvez um pouco impacientes. Os quatro astronautas da Tripulação-12, incluindo a francesa Sophie Adenot, conversaram uma última vez antes de decolar para a Estação Espacial Internacional (ISS). Nesta equipe, a borgonhesa e seu colega da NASA, Jack Hathaway, são os únicos que ainda não foram ao espaço. Mas “eles estão tão preparados que não podemos mais aconselhá-los“, sorri Jéssica Meir, comandante desta missão, que já passou mais de 200 dias em órbita:”Eu diria que, como um recém-nascido, você terá que aprender as coisas mais básicas. Como comer, como ir ao banheiro. E prepare-se para o desconhecido.”
Questionada sobre a sua preparação, a francesa de 43 anos contou o quão intensa foi a formação que recebeu no Centro Europeu de Astronautas, em Colónia. “Temos que saber colocar o chapéu de bombeiro, o chapéu de médico de emergência, o chapéu de encanador ou de reparador… É como numa casa: às vezes é preciso consertar os banheiros. A ISS não é apenas um laboratório de alta tecnologia!”
Menus gastronômicos e flautim no espaço
Jack Hathaway já está imaginando seu dia a dia na ISS. “De manhã tomo meu café e leio os jornais. No espaço continuarei a fazer a mesma coisa, mas desta vez com os meus colegas astronautas!“
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A equipe também poderá saborear refeições gourmet elaboradas pela chef Anne-Sophie Pic em colaboração com Sophie Adenot. Refeições destinadas a ocasiões especiais e que deverão permitir “reconectar-se com a Terra“, diz a francesa.”Certamente elevará os padrões culinários da Estação Espacial Internacional“, brincou a comandante Jéssica Meir.
Ela também confidencia que levou seu flautim nas malas, para poder fazer música sem peso. Ela não é a única: o russo Andrey Fedyaev colocou sua gaita nos pertences dela. Na ISS já existem violão, piano e maracas… Há alguns anos, o francês Thomas Pesquet já havia demonstrado seu talento como saxofonista durante suas missões na ISS.
Sophie Adenot, seguindo os passos da primeira francesa no espaço
Ao decolar para a ISS, Sophie Adenot se tornará a segunda francesa a ir ao espaço depois de Claudie Haigneré, pioneira em 1996. Um momento gravado na memória de Sophie Adenot, então adolescente: “Lembro-me muito bem do primeiro voo de Claudie Haigneré. Algo clicou para mim. Eu disse a mim mesmo: se ela pode fazer isso, eu também posso..”
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Desde a sua selecção na Agência Espacial Europeia (ESA), Claudie Haigneré provou ser uma grande mentora para Sophie Adenot. “Recebi hoje uma carta muito simpática dela, é muito comovente, ela me dá todos os conselhos mais recentes. Estou muito emocionado só de dizer isso.“, confidenciou Sophie Adenot, com os olhos turvos.
Se o grupo de astronautas se prepara para esta vida especial na ausência de gravidade durante seis a oito meses, não se esquece do motivo principal da sua viagem ao espaço: as inúmeras experiências científicas a realizar na ISS. Entre elas, realizar ultrassonografias autônomas, coletar contaminantes atmosféricos, testar uma nova combinação intraveicular ou até mesmo germinar sementes.
Antes deles, a equipe da Crew-11 teve que retornar à Terra mais cedo por motivos médicos. Uma novidade na história da NASA. Nunca uma missão foi interrompida por motivos de saúde. Desde o seu regresso antecipado à Terra, a NASA não forneceu detalhes sobre a identidade do paciente ou o problema encontrado. Os astronautas da Crew-12, da qual Sophie Adenot faz parte, porém, não precisaram passar por mais exames médicos.