“Quase um em cada dois pacientes crónicos” não segue o tratamento “conforme prescrito” e as consequências para a saúde são “catastróficas”, alertaram especialistas na segunda-feira, apelando a mais trabalho neste “problema de saúde pública”.

Cerca de 42% dos pacientes em tratamento prolongado afirmam que “já esqueceram ou interromperam uma dose” no ano passado, segundo um estudo da Opinionway, realizado para a feira Medintechs (dedicada à inovação em saúde) segunda e terça-feira em Paris.

“O paciente não toma a medicação todos os dias, faz uma pausa no fim de semana, toma metade da dose ou esquece regularmente”, explicou o professor Gérard Friedlander, professor emérito da Universidade Paris-Cité, em conferência de imprensa. Muitas patologias são afetadas: doenças cardiovasculares, Alzheimer, Parkinson, câncer…

“As consequências para a saúde são catastróficas”: “são mais reinternações, mais agravamentos”, “recaídas” e, para o sistema de saúde, “um custo importante”, sublinhou Friedlander.

Entre os pacientes com hipertensão, “20% não comprarão a primeira receita”, muitas vezes sem avisar o médico, que dispõe de ferramentas para “detectar incumprimento” do tratamento (análises de urina e cabelo, etc.), mas de forma “pontual”, testemunhou Michel Azizi, cardiologista especialista do Hospital Georges Pompidou.

As causas são múltiplas: “falta de tempo do médico” para “explicar a doença”, falta de confiança por parte do paciente, “complexidade” dos tratamentos, que por vezes exigem a ingestão de cerca de dez comprimidos diários, “efeitos secundários”, que quando não são “graves” (vómitos, dores, etc.), “não são avaliados sistematicamente”, sublinhou o médico Mario Di Palma, oncologista do hospital Gustave Roussy.

A adesão ao tratamento exige “um diálogo importante e prolongado”, sobretudo durante sessões de “educação terapêutica” de difícil acesso, reservadas na diabetologia “para os casos mais graves”, lamentou por sua vez Jean-François Thébaut, vice-presidente da Federação Francesa de Diabéticos.

“Espera muito” do “novo estatuto pré-ALD” (condição de longa duração), previsto no orçamento da Segurança Social de 2026, que deverá permitir cuidados “antes deste agravamento”.

Entre outras soluções possíveis: “ferramentas digitais”, permitindo com a ajuda de profissionais paramédicos (farmacêuticos, enfermeiros, etc.) monitorizar o paciente, avaliar efeitos secundários, ou “enviar lembretes” por SMS ao tomar o seu comprimido.

A indústria farmacêutica, os cuidadores e as associações devem “trabalhar em conjunto”, defenderam os oradores, apelando também ao desenvolvimento de novos formatos e métodos de administração de medicamentos, como a PrEP, um tratamento preventivo contra o VIH hoje administrado através de duas injeções anuais.

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