
Delta do Mekong, do Mississipi, do Nilo… E se todas estas redes fluviais que deságuam no mar obedecessem à mesma lei geométrica? Esta é a conclusão de um estudo publicado esta semana na revista Ciência. Segundo seus autores, a lei de Hack – até agora aplicada às bacias hidrográficas clássicas – também se aplica aos deltas, sistemas estes que divergem em vez de convergirem.
Para entender o que isso significa, devemos primeiro definir o que é uma bacia hidrográfica. É uma espécie de bacia que capta água: de um determinado ponto de um rio, a bacia hidrográfica corresponde a toda a superfície de onde a água pode fluir até esse ponto, acompanhando o relevo do terreno.
Quanto mais longo for um canal, mais longa se tornará a bacia hidrográfica.
Segundo a lei de Hack, numa rede hidráulica existe uma relação de escala entre o tamanho da bacia hidrográfica e o comprimento do canal principal: quanto mais longo este canal, mais se estende a bacia.
Porém, até agora, esta lei era aplicada a redes convergentes – aquelas onde os afluentes se encontram em direção a um ponto central, a saída. Os pesquisadores mostraram aqui que isso também se aplica aos deltas, que funcionam de forma oposta: a água se dispersa em uma superfície plana, em uma infinidade de braços divergentes.
A forma dos deltas depende da água que coletam
A equipa distingue duas grandes famílias de deltas: deltas confinados (como o Mekong), que seguem a lei de Hack – quanto mais longo o canal, maior é a superfície de alimentação – e deltas compostos, menos restritos, que se espalham tanto em largura como em comprimento, afastando-se da lei.
A forma dos deltas depende da água que recolhem, pelo que estão intimamente ligados ao clima. Compreender melhor como se organizam significa ser capaz de reconstituir a sua história — e, por extensão, a do clima que os moldou.