John Ternus sucede a Tim Cook como chefe da Apple. Aqui estão os principais projetos que o aguardam entre IA, dependências tecnológicas e comerciais e questões geopolíticas.

John Ternus durante uma palestra da Apple em 2025 // Fonte: Apple

A partir de setembro de 2026, Tim Cook não será mais CEO da Apple. Porém, ele não está se afastando da empresa e posteriormente ocupará o cargo de presidente do conselho de administração. A nova pessoa no comando da Apple se chama John Ternus. Obviamente ele não surge do nada, ele é o atual chefe do hardware.

Esta mudança de chefe será acompanhada por uma mudança de rumo para a Apple? Talvez. O certo é que muitos projetos aguardam John Ternus à frente da multinacional. Vamos revisar alguns deles.

Apple Intelligence e o novo Siri

A IA é sem dúvida a questão estratégica mais urgente para a Apple. Não é segredo que a empresa está muito atrasada e conta com a futura atualização do iOS 27 para finalmente lançar uma Siri verdadeiramente nova, mais poderosa e relevante.

A Apple está preparando a atualização do iOS 27 // Fonte: Frandroid

O iOS 27 será apresentado durante a WWDC 2026. A conferência dedicada será, sem dúvida, uma oportunidade para mostrar a transição entre Tim Cook e John Ternus.

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Restaure a imagem do Siri, esqueça o laborioso início da Apple Intelligence e crie uma experiência de usuário de ponta para transformar um dos maiores pontos fracos atuais da Apple em um ponto forte. Um vasto projecto que irá ocupar muito John Ternus durante os primeiros dias do seu mandato à frente da empresa.

Fortalecendo a independência tecnológica

Depois dos chips Apple Silicon (Apple M1 a M5 e todas as variantes), dos chips de modem 5G internos (Apple C1 e C1X) e do Apple N1 para gerenciar conexões Bluetooth e Wi-Fi, a empresa Apple provavelmente não pretende parar por aí.

Todos esses semicondutores projetados internamente permitem que a Apple dependa muito menos de vários fornecedores (pensamos na Intel e na Qualcomm em particular).

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Para além de conseguir algumas economias de escala, esta política permite também o controlo tecnológico e logístico de toda a cadeia produtiva do iPhone e MacBook e a integração perfeitamente controlada destes chips nos produtos vendidos ao público em geral. O recente MacBook Neo e sua agressiva relação tecnologia-preço são o representante perfeito.

MacBook Neo // Fonte: Chloé Pertuis para Frandroid

Mas o que vem a seguir? São apenas especulações, mas podemos imaginar a Apple tentando atacar telas. Nesta área, a marca ainda é muito dependente da LG e principalmente da Samsung.

Já há rumores de que a Apple pretende fabricar suas próprias telas micro-LED. Poderíamos ver isso em um Apple Watch já em 2027, mas a empresa poderia eventualmente expandir esse esforço para outros produtos, como iPhones ou iPads.

Em qualquer caso, seria um passo lógico no desejo da Apple de ser o mais independente possível tecnologicamente.

Reduza o vício do iPhone

Acabamos de falar sobre independência tecnológica. No entanto, existe uma dependência económica que muitas vezes devemos recordar por parte da Apple: o iPhone.

Apesar da diversificação de produtos e de uma ofensiva muito acentuada do lado dos serviços na era Tim Cook, a Apple é muito dependente das vendas do iPhone. A razão é simples: o smartphone continua a ser a pedra angular do ecossistema Apple.

Apple iPhone 17 // Fonte: Chloé Pertuis – Frandroid

A boa notícia é que esse negócio traz muito dinheiro para a Apple. A má notícia é que o iPhone só precisa ter um desempenho comercial pior para semear dúvidas dentro da empresa (mesmo se imaginarmos que a Apple certamente não entraria em colapso da noite para o dia).

Este problema será certamente um assunto substantivo durante todo o reinado de João Ternus.

Navegando em um contexto geopolítico obscuro

Por fim, nestes tempos, é difícil não ver as questões geopolíticas que abalam o mundo como um tema de preocupação para o novo chefe da Apple. Principalmente quando os Estados Unidos, terra natal da empresa, estão envolvidos em quase todas as tensões internacionais.

Isto é ainda mais verdadeiro tendo em conta a relação sulfurosa entre Washington e Pequim, envolvida numa feroz concorrência comercial. No entanto, a China é um mercado ultraestratégico para a Apple, que muitas vezes se vê no fogo cruzado.

Apple x China
China, um grande problema para a Apple. //Fonte: Frandroid

Será também necessário monitorizar o futuro da Apple na União Europeia, que aumentou as medidas de combate às práticas anticoncorrenciais para enfrentar, em particular, a empresa Apple.

Em troca, a Apple está relutante em implementar certos novos recursos na Europa e na França. Será que esse relacionamento complexo relaxará com John Ternus? Saberemos relativamente rápido.

E, por fim, acrescentemos a sombra da crise da RAM que paira sobre o mercado tecnológico e que obviamente será um assunto importante de gestão para John Ternus. Um programa e tanto.


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