Lançado em 2010, o longa-metragem se tornou um grande clássico do cinema americano. Desde a cena de abertura, ele soube nos cativar e fisgar, para nunca mais nos soltar.

Dois estudantes conversam enquanto tomam um drink em um bar… A sequência parece inócua, confusamente banal. O que é mais normal do que duas pessoas conversando? No cinema não há nada mais clássico do que uma conversa filmada em plano reverso.

5 minutos cativantes

No entanto, os primeiros 5 minutos de A Rede Social parecem pertencer a outro mundo, e David Fincher eleva uma simples discussão banal à categoria de obra-prima. Em 2010, quando descobrimos o novo filme do cineasta, esta sequência impressionou imediatamente o espectador.

Jesse Eisenberg, como Mark Zuckerberg, pronuncia suas falas tão rapidamente quanto uma máquina de sulfato. Aos poucos, a conversa com Erica (Rooney Mara), sua namorada, vai piorando. O casal fala sobre clubes estudantis e Mark torna-se cada vez mais arrogante e condescendente.

Erica acaba se magoando com as palavras de Zuckerberg, e termina abruptamente o relacionamento deles, não sem antes ter dado a ele uma frase significativa, que resume perfeitamente o estado de espírito do aluno. “Você provavelmente vai se tornar uma informação particularmente brilhante. Mas ao longo da sua vida, você vai acreditar que as garotas não gostam de você porque você é um nerd. E eu quero que você, do fundo do meu coração, saiba que esse não será o motivo. Será porque você é um idiota!”

A cena nos deixa ali, com Mark completamente atordoado, e um espectador desconcertado, sem ter certeza de ter entendido todas as questões. Mas lembrou-se de uma coisa, Zuckerberg tem uma personalidade extremamente especial, e teremos que acompanhá-lo na sua aventura de criar o Facebook, a rede social que revolucionou tudo nos anos 2000.

Caracterização do personagem

Em apenas 5 minutos, a genialidade da direção de Fincher encontra a maestria do diálogo do famoso Aaron Sorkin. A cena define instantaneamente o personagem de Mark Zuckerberg. Em poucos instantes, entendemos que Mark é extremamente inteligente, mas socialmente desajeitado.

O aluno é obcecado por status e reconhecimento, incapaz de ter empatia em conversas íntimas. O rompimento com Érica não se mostra como um grande drama emocional, mas como consequência lógica de seu modo de pensar e de falar.

Filmes Columbia

O texto escrito por Aaron Sorkin é muito denso, cheio de insinuações. O espectador fica deliberadamente um pouco sobrecarregado, o que reflete a lacuna intelectual e psicológica entre os personagens. A sequência, portanto, define imediatamente o ritmo do filme.

Desde a abertura, A Rede Social aborda muitos temas, desde a solidão ao desejo de pertencer, passando pelo poder, pela falha na comunicação ou pelo sucesso sem maturidade emocional. Tudo o que segue já está resumido em 5 minutos nesta conversa.

Ação de gatilho

Além disso, a cena é o motor dramático do longa-metragem. Ela é o gatilho na mente de Mark. Mesmo que o Facebook não nasça apenas desta ruptura, ele simboliza a origem emocional do projeto. Além disso, David Fincher poderia ter filmado de forma espetacular, brincando com efeitos de edição ou movimentos de câmera.

Porém, o cineasta decidiu filmá-lo da forma mais sóbria possível, em plano reverso, com iluminação suave e edição precisa. Nada extravagante ou de tirar o fôlego, apenas o estabelecimento de uma tensão constante que depende apenas de palavras e olhares. Também ancora a história em realismo bruto, prendendo imediatamente o espectador.

15 anos após o lançamento de A Rede Social, esta sequência de abertura ainda continua sendo uma das mais magistrais já criadas. E se quiser (re)assistir ao filme, ele está disponível na plataforma HBO Max.

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