Entrevistado na Antenne 2 em 1988, Yves Montand relembrou nomeadamente os primeiros anos da sua carreira no cinema, que não foram tão fáceis.
O que citamos é Paris em chamas? de René Clément, Le Cercle rouge de Jean-Pierre Melville, La Folie des Grandeurs de Gérard Oury, César et Rosalie de Claude Sautet ou mesmo Jean de Florette de Claude Berri, basta um olhar sobre a carreira de Yves Montand para constatar que não faltam grandes clássicos.
“Não entendi absolutamente nada”
Contudo, como ele mesmo declarou ao microfone da Antena 2 em 1988, poderia ter sido bem diferente para o famoso ator francês, cujos primeiros passos no campo do cinema não foram tão fáceis. Cantor antes de ator, foi em 1946, sob a direção de Marcel Carné, que Montand iniciou sua filmografia.
“Eu adorava cinema. Sempre adorei cinema, desde os 7 ou 8 anos, assim que vi os meus primeiros filmes. Mas quando comecei a trabalhar em cinema fiquei totalmente perdido, foi com um grande filme como As Portas da Noite”ele declarou.
“Não entendi absolutamente nada, fiquei muito infeliz. Não entendi o que significavam as marcas no chão, para não deixar as marcas, por exemplo. Eu tinha um sotaque que não era sulista nem nortenho, não sabemos bem que sotaque. (…) E é verdade que o papel era para Gabin, que tinha entre 45 e 50 anos na época, e eu tinha 23.”
Vera Filmes
“Eu sabia que era uma história de caminhão, mas é isso.”
Após esta complicada experiência, seguida de outra longa-metragem intitulada L’Idole, Montand decidiu suspender a carreira de ator por tempo indeterminado, para se dedicar à música. Até o dia em que, cinco anos depois, sua esposa Simone Signoret e outro grande diretor lhe ofereceram um dos dois papéis principais de um futuro clássico.
“Eu tinha parado. (…) Isso é [Henri-Georges] Clouzot e Simone [qui m’ont redonné le goût du cinéma]. Quando Clouzot quis fazer The Wages of Fear, ele veio até mim. Eu estava cantando no L’Etoile naquela época, foi em 1949.”
Clouzot perguntou então a Montand qual dos dois personagens principais (Jo ou Mario) ele preferia interpretar, sem saber que não havia lido o livro original.
“Eu sabia que era uma história de caminhão, mas é isso.”
O famoso ator finalmente herdou o papel de Mario neste lendário longa-metragem, ainda hoje considerado um must-have do cinema francês e o primeiro de uma longa série de clássicos da carreira de Montand.
(Re)descubra o trailer do filme…