
Todos os dias, o AlloCiné recomenda um filme para (re)assistir na TV. Esta noite: uma obra-prima absoluta de Claude Chabrol interpretada pelo ator Jean Yanne, interpretando um dos personagens mais vis já vistos na tela.
Raiva: vem do grego, kholê, que significa “bile”. Estado emocional violento e temporário, resultante do sentimento de agressão, de aborrecimento, refletindo forte descontentamento e acompanhado de reações brutais.
No cinema, a raiva é muitas vezes traduzida como vingança. Como o implacável em marcha no extraordinário filme de Claude Chabrol, Deixe a Besta Morrer. Um dos mais bem avaliados do cineasta, com média 4 em 5, e transmitido esta noite pela Arte.
A história? Um motorista atropela uma criança com seu carro, mata-a e foge. Esse menino era filho do escritor Charles Thénier, aliás Marc Andrieu. Como a polícia admite não conseguir encontrar o culpado, Charles decide continuar a investigação sozinho. Ele conhece um fazendeiro que diz ter visto dois motoristas limpando um carro danificado perto do local do acidente. A passageira se parecia muito com a atriz Hélène Lanson.
Tendo se tornado seu amante, Charles a acompanha até seu cunhado, Paul Decourt, um rude mecânico que tiraniza sua família, em particular seu filho de 12 anos, Philippe… Guiado pela vingança, Thénier/Andrieu desenvolve seu plano com paciência e meticulosidade. Registrando tudo em seu caderno, ele calcula com frieza, finge sentimentos, para melhor se aproximar de sua presa…
Conduzido por um formidável Michel Duchaussoy no papel do escritor vingativo devastado pela dor, Deixe a Besta Morrer é acima de tudo um ápice absoluto na carreira de Jean Yanne, extraordinário em seu papel de personagem abjeto; provavelmente um dos personagens mais odiosos e vis já vistos na tela.
Ex-jornalista que trabalhou no rádio e na televisão onde fazia esquetes para programas de Jacques Martin, Jean Yanne deu uma volta de 180° com este trágico papel. “Na primeira imagem, eu esmaguei um garotinho de 8 anos, então isso tira qualquer alívio cômico” ele dirá. “É um ótimo papel porque o cara não faz nada para se desculpar e não há nada na história que possa desculpá-lo.”
Se você nunca viu essa maravilha, sabe o que tem que fazer…
Deixe a fera morrer, esta noite na Arte às 20h55.
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