“Perspectivismo cosmológico. Ensaios sobre antropologia multinaturalista” (Perspectivismo e multinaturalismo na América indigena. Perspectivismo cosmológico na Amazônia e em outros lugares), de Eduardo Viveiros de Castro, traduzido do português (Brasil) por Julien Pallotta e do inglês por Guillaume Guidon, Outside, 208 p., €19,50.
A antropologia estabeleceu-se como uma ciência comparada das culturas humanas, segundo um prisma inicialmente marcado por forte etnocentrismo. Distinguiu as chamadas culturas “primitivas” da cultura ocidental moderna que, por si só, teria sido capaz de diferenciar entre, por um lado, uma realidade natural única (os factos necessários estabelecidos em particular pela ciência) e, por outro lado, a pluralidade de culturas, um domínio contingente de línguas, interpretações e representações.
Em Perspectivismo cosmológicoEdouardo Viveiros de Castro desestabiliza esta abordagem e contribui para abrir a sua disciplina a um questionamento verdadeiramente filosófico sobre a nossa relação com o mundo e as relações entre seres humanos e não humanos, capaz de ir além da oposição clássica entre natureza e cultura. Esta coleção de palestras proferidas em Cambridge em 1998 pelo antropólogo brasileiro oferece, portanto, um importante documento sobre a “virada ontológica” na antropologia contemporânea. Esta viragem consiste em deixar de reduzir as culturas ditas “indígenas” a crenças, extraindo todas as consequências filosóficas, mas também ecológicas e políticas, das concepções de mundo que a etnografia descreve.
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