“Alexandrie Paisagem 23” (1997), de Alain Leloup.

A “Boa Mãe” é, em Marselha, o apelido da basílica de Notre-Dame de la Garde, um edifício de estilo romano-bizantino, mais monumental do que harmonioso, construído durante o Segundo Império no local de uma capela do século XII.e século. É um dos locais simbólicos da cidade e da sua história. O MuCEM agora é outro, onde acontece a exposição chamada “Boas Mães”, no plural. O tema é a maternidade na região mediterrânea. Muito vasto, reúne artefactos extremamente variados, desde estatuetas de deusas da fertilidade egípcias, cipriotas ou cartaginesas a instrumentos obstétricos, imagens de propaganda pró-natalista a obras pictóricas e fotográficas actuais. Os seus capítulos, com títulos por vezes pouco claros, sucedem-se num caminho sinuoso entre tantos objetos e documentos de natureza material, época, origem e destino tão múltiplos.

Tanto mais que parece, desde o momento em que se entra, que a exposição ultrapassa os limites que deveria conter: as civilizações ribeirinhas do Mediterrâneo. A Vénus Gravettiana de Lespugue, que Prune Nourry amplia até às dimensões de uma estátua, seguindo o exemplo de Judy Chicago, não provém de uma cultura mediterrânica, mas de uma civilização cujos vestígios se encontram por toda a Europa. E Louise Bourgeois, cujo famoso Estudo da Natureza está muito próximo, nada mais, do artista franco-americano ter feito todo o seu trabalho em Nova York.

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