O aspirador robô número 1 da França quer lhe vender um smartphone com módulos magnéticos. A indústria móvel já enterrou o conceito três vezes.
A Dreame fabrica aspiradores robotizados desde 2017. Desde abril de 2025, é a marca líder do setor na Europa em volume de negócios, segundo a Frost & Sullivan. Mas durante o evento DREAME NEXT em São Francisco, no dia 29 de abril, a empresa chinesa apresentou algo completamente diferente. No programa: três smartphones chamados Aurora, incluindo um modelo modular. Steve Wozniak, cofundador da Apple, até subiu ao palco (não esperávamos vê-lo elogiar um fabricante de aspiradores de pó).

Um telefone cuja câmera pode ser trocada como se trocasse uma capa
A gama Aurora está disponível em três versões. O Aurora padrão possui um sensor 200 megapixelsvídeo 8K a 60 quadros por segundo e bateria de 7.000 mAh. O design, com seu imponente círculo de câmera na parte traseira, lembra o OnePlus 13. Até agora, nada surpreendente.
A peça central da linha é o Aurora Nex. Seu princípio: uma localização magnética na parte traseira, no lugar do módulo fotográfico usual. Quatro acessórios se encaixam nele, dependendo do uso. Um módulo Action (50 megapixels, foco automático em 0,1 segundos) e uma teleobjetiva com zoom 20x e tecnologia LOFIC para HDR em uma única foto. Somam-se a isso um módulo satélite para chamadas fora da rede e um módulo Agente com tela curva acionada por IA. A contrapartida é brutal: sem módulo recortado, sem câmera traseira.

Terceira variação: o Aurora Lux, uma versão luxuosa com padrões elaborados, disponível em cinco variantes com nomes grandiosos (Idade de Ouro, Totem Imperial, Escudo Regalia). Um deles ostenta um relógio dourado no lugar do sensor fotográfico. Tudo corre sob Aurora OS 1.0um sistema baseado em Android que se parece muito com o iOS 26 e seu Liquid Glass (a Apple vai gostar). Nenhum preço ou data de disponibilidade foi comunicado para internacional.
O smartphone modular, conceito que a indústria enterrou três vezes
A ideia de encaixar módulos em um telefone não é nova. O Google passou três anos nisso com o Projeto Ara, um smartphone totalmente kit. Módulos de câmera, bateria, memória, todos intercambiáveis à vontade. O projeto foi abandonado em setembro de 2016 antes mesmo de chegar ao mercado. Muito pesado, muito frágil, muito complexo.
A LG tentou a aventura no mesmo ano com o G5 e seus “amigos” modulares. As vendas foram tão decepcionantes que o G6, seu sucessor, recuou em 2017. A Motorola resistiu mais com os Moto Mods para o Moto Z: alto-falante JBL, projetor, bateria, câmera Hasselblad. Tecnicamente elegante, mas os consumidores simplesmente não queriam carregar acessórios além do telefone. A TECNO apresentou novamente um conceito modular ultrafino no MWC em março passado. O problema permanece o mesmo há dez anos: o usuário quer um aparelho completo no bolso, e não um kit para montar.
Dreame aposta numa abordagem mais simples que os seus antecessores: ímanes, ponto de fixação único, sem desmontagem do chassis. A aposta continua arriscada. A marca, porém, tem uma vantagem que Google e LG não tinham: uma presença comercial estabelecida em França e na Europa. Mais de 5.500 pontos de venda físicos em todo o mundo, um site francês ativo, uma base de clientes fiéis em eletrodomésticos. Se o Aurora chegar ao Velho Continente, Dreame passaria do departamento de aspiradores para o departamento de telefonia, enfrentando Samsung, Apple e Xiaomi. Resta saber se as pessoas que confiam no Dreame para aspirar sua sala de estar vão querer confiar nele suas ligações e fotos. A transição do esfregão para a selfie não é fácil.
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