A empresa NSO, criadora do software espião Pegasus, está sob a bandeira americana. À sua frente: David Friedman, ex-advogado e embaixador de Donald Trump.
É uma reviravolta de 180 graus para a empresa mais perigosa em segurança cibernética. O Grupo NSO, a empresa israelense por trás do infame spyware Pegasus, acaba de mudar para a bandeira americana.
Um grupo de investidores liderado pelo produtor de Hollywood Robert Simonds adquiriu uma participação majoritária na empresa. Mas o mais espetacular não está aí. A NSO tem um novo presidente executivo com um perfil altamente político: David Friedman, ex-advogado pessoal de Donald Trump e ex-embaixador em Israel.
O homem no comando de Trump
Esqueça perfis técnicos discretos. David Friedman é um produto puro do ecossistema Trump. Ele era o advogado comercial de Donald Trump, ajudando-o notavelmente a sair das falências de seus cassinos em Atlantic City. Tornando-se seu embaixador em Israel (2017-2021), tornou-se conhecido pelas suas posições radicais, pelo seu fervoroso apoio aos colonatos israelitas e pela sua oposição à solução de dois Estados.
Esta nomeação é uma bomba política. Chega num momento em que o Grupo NSO está na mira da atual administração americana.
Objetivo: vender Pegasus para a polícia americana
O momento é tudo menos trivial. O Grupo NSO está atualmente na lista negra do Departamento de Comércio dos EUA. A administração Biden proibiu em 2021 empresas norte-americanas de fazerem negócios com a NSO, acusando-a de fornecer ferramentas para “repressão de dissidentes, ativistas e jornalistas” e de agir “contra a segurança nacional” dos Estados Unidos (funcionários norte-americanos foram alvo).
David Friedman não esconde isso, seu objetivo é quebrar essa barreira.
Ele quer usar suas conexões para melhorar a imagem da NSO e convencer as agências americanas, especialmente as forças policiais locais, a se tornarem clientes. Uma ambição que parece impossível… a menos que o decreto presidencial de Biden seja revogado ou ocorra uma mudança de administração.
O porta-voz da NSO, no entanto, deixou claro que a sede e as operações permaneceram em Israel, ainda sob a supervisão do Ministério da Defesa israelita.
Um gigante espião à distância?
Deve ser dito que a NSO precisava de ar. Desde as revelações globais do “Projeto Pegasus” em 2021, que expuseram a espionagem de jornalistas, advogados e até chefes de Estado, a empresa tem enfrentado graves dificuldades financeiras e jurídicas.
O outro duro golpe veio do Meta (antigo Facebook). Após seis anos de julgamento, a NSO foi condenada por hackear milhares de telefones por meio de falhas nas mensagens do WhatsApp. Se a colossal multa inicial de 168 milhões de dólares foi reduzida para 4 milhões em outubro passado, o juiz ordenou sobretudo que a NSO deixasse de atacar o WhatsApp.
Com esta aquisição, os três cofundadores da NSO (Niv Karmi, Shalev Hulio e Omri Lavie) deixam de ser acionistas. É uma página que se vira e uma nova história, eminentemente política, que se abre.
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Por: Ópera
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