É um preconceito herdado da história ao qual o olhar acabou por se habituar. O de um mapa mundial em que a Índia é tão grande como a França, a Gronelândia tão vasta como a África. Uma distorção resultante da projeção de Mercator, com mais de 500 anos e que se consolidou como o planisfério de referência no mundo.
Desenvolvida em 1569 pelo geógrafo flamengo, Gerardus Mercator, para uso dos marinheiros, a projeção amplia as regiões localizadas próximas aos pólos e subestima a superfície daquelas que estão distantes deles, como a África e a América do Sul. Assim, na realidade, a África é catorze vezes maior que a Gronelândia e a Índia tem uma área nove vezes maior que a da França.
Uma distorção que a União Africana (UA) considera prejudicial para o continente. A organização mandatou o Togo, no dia 7 de abril, para apresentar uma resolução na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro, a fim de obter o abandono da projeção criticada. “Esta abordagem faz parte de uma lógica de justiça cognitiva e de rigor científico, e não de um desejo de definir uma hierarquia entre as regiões do mundo”justifica Robert Dussey, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo. Em setembro de 2025, o diplomata, habituado a diatribes antiocidentais, indignou-se perante os seus pares da ONU: “Devemos descolonizar a geografia”disse do pódio, brandindo um mapa de África representado nas suas proporções reais graças à projeção Equal Earth, criada em 2018.
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