Dnos dias seguintes à eleição de Bally Bagayoko [La France insoumise] na prefeitura de Saint-Denis [Seine-Saint-Denis]o racismo na sua forma ideológica mais explícita e nauseante voltou a ser expresso sem entraves em alguns meios de comunicação que fizeram dele a sua linha editorial. E, como a história nos ensina, as tentativas de degradação e desumanização em que se baseia esta ideologia são ainda mais agudas e violentas à medida que os grupos minorizados deixam o gueto, assumem posições de responsabilidade, são eleitos e tornam-se assim os representantes da nação.

Tudo isto explica a relevância desastrosa de uma concepção racializante de pertencimento nacional. Este gesto de conservação estatutária tem a sua origem na forma como o império colonial recusou aos seus súbditos o que Bally Bagayoko e outros conseguiram obter através de uma grande luta.

É, portanto, difícil acreditar que no meio de tudo isto o termo que retém as críticas do sociólogo Stéphane Beaud e do historiador Gérard Noiriel, numa coluna publicada em 2 de abril no O mundoou o termo racializado. Reagindo à entrevista concedida por Bally Bagayoko, da qual guardam apenas a primeira parte em que ele diz “não gostar” Este termo é ignorado, o que o autarca de Saint-Denis acrescenta que não contesta a sua utilização no trabalho universitário. A ideia aqui não é discutir este texto, mas fornecer elementos de esclarecimento sobre as noções de racialização e racialização tal como as ciências sociais as utilizam.

Leia também a coluna de Stéphane Beaud e Gérard Noiriel | Artigo reservado para nossos assinantes “Recusar-se a dividir o povo francês entre os racializados e os não-racializados não é negar a existência do racismo”

Em primeiro lugar, ao contrário do que se diz regularmente, o conceito de racialização não produz a divisão da sociedade. Ele analisa alguns dos mecanismos que contribuem para isso. Por outras palavras, o problema não é o conceito que explica o processo de inferiorização das origens geográficas, culturais ou religiosas, reais ou supostas. O problema é que a sociedade continua a racializar. Seria melhor, portanto, deixar-nos emocionar pela persistência destes gestos que produzem desigualdade e depois fazê-la passar pela ordem das coisas, em vez de atacar os conceitos que servem precisamente para realçar estes processos e, assim, combatê-los.

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