
Em 28 de abril de 2026, os eurodeputados adotaram definitivamente o primeiro regulamento europeu que estabelece padrões mínimos de proteção para cães e gatos na reprodução, proibindo práticas que causem sofrimento.
Votado pela primeira vez em Junho passado, o texto, ligeiramente alterado pela Comissão e pelos Estados-Membros, recebeu a aprovação final do Parlamento reunido em Estrasburgo por uma ampla maioria: 558 votos a favor, 35 contra e 52 abstenções. Estabelece critérios mínimos de bem-estar em fazendas, abrigos e pontos de venda: alimentação, espaço, limpeza, proibição de práticas cruéis, etc.
A União Europeia (UE) pretende regular melhor este mercado, estimado em 1,3 mil milhões de euros por ano, para uma população de aproximadamente 82 milhões de gatos e 72 milhões de cães. O objectivo é, em particular, combater o tráfico proveniente de países como a Roménia e a Bulgária, apontados por associações de defesa dos direitos dos animais.
Isenções concedidas
Nos termos deste texto, os cães e gatos na UE devem ser identificados por um chip subcutâneo, num prazo máximo, para animais mantidos por particulares, de 10 anos para gatos e 15 anos para cães. Colares coercivos (elétricos, etc.) serão proibidos na maioria dos casos, assim como mutilações (cortar a cauda ou as orelhas, remover as cordas vocais, etc.). A criação de animais destinada a acentuar determinadas características físicas em detrimento da saúde dos animais (pernas demasiado curtas, nariz demasiado achatado, etc.) também deve ser proibida, assim como a utilização destes animais para exposições ou competições.
O texto também proíbe a endogamia até cruzamentos de avós/netos e entre meio-irmãos e irmãs, salvo raras exceções, para preservar espécies locais com baixa diversidade genética. Proíbe também, em sua versão final, o cruzamento entre raças domésticas e silvestres, que pode provocar comportamentos inadequados em animais domésticos.
Mas os defensores dos direitos dos animais lamentaram as isenções concedidas pelo texto. Por exemplo, prevê apenas uma regulamentação mínima para anúncios online, que dizem respeito a 60% das vendas de cães e gatos na União Europeia. Certas regras de bem-estar animal não se aplicam a cães policiais, militares ou alfandegários. E as alterações que proíbem a venda de cães e gatos em lojas de animais, ou que proíbem o uso da eutanásia para regular a população reprodutora, foram removidas.