O debate fiscal gira quase sempre em torno do mesmo eixo: devemos tributar mais os rendimentos elevados? No entanto, existe uma abordagem radicalmente diferente e está a ganhar terreno na literatura económica. Tributar o consumo em vez do rendimento, com uma progressividade contínua, poderia, de acordo com alguns estudos recentes, estimular o crescimento e proteger melhor as famílias de baixos rendimentos. Um caminho sério, desde que você entenda os mecanismos reais.
Imposto de renda: uma barreira invisível à produtividade
O imposto de renda progressivo se baseia em uma lógica simples: quanto mais você ganha, mais você contribui. No papel, é justo. Convenientemente, produz um efeito perverso que é pouco visível nas estatísticas anual mas enorme a longo prazo.
Quando a taxa marginal de imposto aumenta acentuadamente durante os anos mais produtivos da vida activa, alguns contribuintes escolhem de forma diferente. Reduzem o seu esforço ou o seu tempo de trabalho, precisamente quando poderiam ser mais eficazes. Este fenómeno também desencoraja a poupança: porquê reservar rendimentos que já são fortemente tributados?

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O que eram os impostos na Idade Média?
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Mas os indivíduos não vivem um ano de cada vez. Eles suavizam seus gastos ao longo da vida, ganhando pouco no início da carreira e mais tarde. Um sistema fiscal modelado no ano fiscal ignora esta realidade e cria distorções artificiais.
Os economistas Carlos da Costa e Marcelo R. Santos modelaram esses efeitos no ciclo de vida familiar. A sua análise mostra que a tributação baseada no consumo progressivo reduziria estas distorções, mantendo ao mesmo tempo uma redistribuição comparável à do imposto sobre o rendimento.

Receita fiscal ou consumo fiscal? Qual sistema tributário é o mais justo? © Gwengoat, iStock
Despesas tributárias: uma alternativa progressiva, não regressiva
A objeção mais frequente é imediata: tributar o consumo significa atingir as famílias de baixa renda que gastam mais tudo o que ganham. Isto é verdade para um imposto fixo nas compras, como um IVA uniforme. Mas não é desse modelo que estamos falando aqui.

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História dos impostos na França antes da Revolução
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Um imposto progressivo sobre o consumo funciona de maneira diferente:
- Ele tributa o que realmente gastamos, não o que arrecadamos.
- Alguém que ganha 70.000€ mas poupa 25.000€ paga menos do que alguém que ganha 50.000€ e gasta tudo.
- As famílias que consomem mais são tributadas mais, o que preserva a lógica redistributiva.
O efeito macroeconómico é notável, o incentivo à poupança aumenta os fundos disponíveis para investimento produtivo. Mais investimento significa mais produtividade e, em última análise, salários mais elevados. São precisamente os trabalhadores, e não os proprietários do capital, que mais beneficiam.

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A gabelle, o imposto sobre o sal mais injusto do Antigo Regime
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Os investigadores estimam que esta mudança poderá ser equivalente a um aumento permanente de 10% nos padrões de vida, através de aumento dos salários e melhor protecção contra flutuações de rendimento.
Será que tudo precisa ser fundamentalmente reformado para conseguir isso? Não necessariamente. Existe um caminho concreto: suavização de resultados. Em vez de tributar o rendimento de um único ano, calculamos uma média ao longo de vários anos, procurador fiel aos gastos reais, uma vez que as pessoas suavizam naturalmente o seu consumo. Os dados já existem nos registos da segurança social. Nenhuma nova burocracia é necessária.
Repensar não o montante do imposto, mas a sua base de cálculo, abre um caminho que os sistemas fiscais das economias avançadas, confrontados com o envelhecimento demográfico, a estagnação da produtividade e os défices crescentes, estariam errados em ignorar.