Análise do western usado por Jamie Foxx, Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio em 5 pontos.
Há pouco mais de dez anos (em janeiro de 2013 na França), Quentin Tarantino interrompeu o faroeste no cinema com Django Livre.
Antes de ver ou rever o filme particularmente violento do realizador cult – esta noite na France 3 – deciframos o western com a sua QT.
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O Spaguete Ocidental
Vinte anos de existência de Tarantino, impasses mexicanos Cães Reservatórios às partituras de Ennio Morricone estampadas em quase todo o seu filme. Django Livre é o filme do grande salto, aquele onde finalmente confronta o gênero de frente. Então, é claro, já que estamos no QT, os personagens passarão mais tempo cortando gordura sentados ao redor de uma mesa do que cavalgando ao pôr do sol. E também se tratará, claro, de confundir os limites, convocando a lenda dos Nibelungos para as planícies nevadas do Tennessee. Os acenos para Sérgio Corbucci abundam, mas Django Livre é na realidade – quase paradoxalmente dado o seu título de homenagem – o filme de Tarantino a mais livre das referências pop que acabaram por devorar o seu cinema. Durante uma hora (a primeira, a melhor), o tempo de um filme de amigos abrangendo Cristóvão Valsa E Jamie Foxx“respira” de uma forma que há muito não acontecia com ele: os personagens existem para além da sua postura icónica, têm uma história, um destino, uma viagem (neste caso, os Estados do Sul fotografados por Robert Richardson). Então, depois disso, a participação especial de Franco Nero parece um não-evento um tanto embaraçoso.
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A trilha sonora legal
A canção de Django original? Verificar. Rap da Costa Oeste? Verificar. Ecos country e ocidentais? Verificar. Mas fica a impressão de que, também neste nível, Tarantino decidiu colocá-lo em segundo plano. Nenhuma exumação, por exemplo, de antigas trilhas sonoras de blaxploitation. E isso é bom: você não precisa disso para entender isso Jamie Foxx aqui toca o eixo dos campos de algodão.
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Os intermináveis diálogos
Eles estão lá, sim, e em grandes larguras. Não é à toa que o filme dura 2h45. O excesso verbal dos filmes de Tarantino tomou um rumo quase monstruoso desde o encontro com Cristóvão Valsa. O próprio Quentin diz: ele não escreve mais roteiros, mas “romances de longa evolução, sem leis ou regras”. Django Livrecom muita e muita gordura ao redor. Mas o que Harvey “Mãos de Tesoura” Weinstein está fazendo?
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Os atores felizes por estar lá
Os atores ficam sempre felizes por estar nos créditos de um Tarantino, porque para eles é a promessa de poder anexar uma obra-prima (mesmo autoproclamada) ao seu filme. Waltz, solto, faz novamente a façanha do Coronel Landa (em uma versão bacana), Foxx e Di Caprio estão impecáveis, Don Johnson substitui Kevin Costner como pode, mas acima de tudo é Samuel L. Jackson que impressiona, num papel verdadeiramente distorcido e politicamente carregado como um escravo que é mais pró-escravidão do que os brancos, onde empurra os potenciômetros até o fim. Como ele mesmo disse em Império : “Eu queria interpretar o negro mais abjeto da história do cinema”. Grande desempenho na chegada.
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Os grandes tópicos
Teremos que nos acostumar, e uma pena para os nostálgicos da era gloriosa Cães Reservatórios–Pulp Fiction – Jackie Brown : a nova forma como QT agora gosta de falar sobre a grande História através de dissertações revisionistas moldadas nos motivos do filme de vingança. Django Livre funciona assim como a continuação lógica deBastardos Inglórioscom a escravidão no lugar da Shoah. A boa notícia é que, longe das aproximações culturais e da veia grotesca dos Bastardos (lembre-se: os constrangedores diálogos franceses, Hitler escapou do Papy faz a resistência), Tarantino tem aqui um assunto (o nascimento do orgulho negro na América) que conhece de dentro para fora, e que trata sem preconceitos e sem ser esperto. Como nos bons e velhos tempos de Jackie Brownestamos, portanto, aguardando a revisão de Spike Lee impacientemente.
Frédéric Foubert
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