
Descoberto em 1878 em Long Island, Nunavut, perto da confluência das baías de Hudson e James, um dente de mamute guardado há mais de um século nas coleções do Museu Canadense da Natureza acaba de revelar um último segredo. Este fóssil, atribuído pela primeira vez a um mamute Colombo (Mammuthus columbi), foi reexaminado por uma equipe da Universidade McGill (Canadá). Resultado: na verdade era um mamute peludo (Mammuthus primigenius), uma espécie adaptada ao frio e ainda assim raramente identificada no extremo leste do continente norte-americano.
O mamute lanoso, um grande viajante
Esta reclassificação modifica o mapa de distribuição conhecido da espécie, que até agora se estendia principalmente às regiões de Yukon, Alasca e Sibéria. Ao encontrarem o seu vestígio perto da Baía de Hudson, os investigadores mostram que as planícies geladas do leste do Canadá também abrigaram estes gigantes da Idade do Gelo. “Isto prova que ainda há muito para descobrir no Leste do Canadá“, explicou Louis-Philippe Bateman, principal autor do estudo publicado no Jornal Canadense de Ciências da Terracitado em um comunicado de imprensa da Universidade McGill. “Agora que sabemos que aqui viveram mamutes peludos, torna-se muito tentador procurar mais!“
Leia tambémDNA de mamute com mais de um milhão de anos, um recorde
A equipe de pesquisa combinou a análise morfológica do dente e o exame isotópico para traçar a identidade e o estilo de vida do animal. Louis-Philippe Bateman, que realizou este trabalho nas coleções do Museu Canadense da Natureza de Gatineau, evoca uma operação de “odontologia de alta precisão em um fóssil insubstituível“. O estudo dos isótopos de carbono e nitrogênio mostra que o mamute se alimentava principalmente de gramíneas e plantas estepárias, características dos ecossistemas frios do final do Pleistoceno.
Um mamute faminto em um clima mais ameno
Os altos valores de nitrogênio sugerem que o animal estava desnutrido. Ele teria passado por um período de escassez, a ponto de ter que recorrer às próprias reservas para sobreviver. Segundo a datação, este mamute teria vivido entre 130 mil e 100 mil anos antes da nossa era, durante um período interglacial em que a região estava livre de gelo e quase tão temperada como hoje. Este clima mais ameno teria permitido que algumas populações isoladas de mamutes peludos explorassem as margens orientais da sua área de distribuição habitual.
Leia tambémO desaparecimento dos mamutes da América do Norte
Redescoberto mais de 150 anos após a sua descoberta pelo geólogo Robert Bell, este molar esquecido enriquece a nossa compreensão da distribuição das espécies glaciais e da sua resiliência às alterações climáticas. Como aponta Louis-Philippe Bateman, “Um fóssil preservado durante gerações ainda pode fornecer informações essenciais sobre como os animais se adaptam às alterações climáticas“.