
Pinguim-do-cabo, maçarico-colhereiro, tubarão-tigre… O número de animais selvagens migratórios em risco de extinção aumenta sob os efeitos das mudanças climáticas, destaca um relatório publicado quinta-feira durante uma conferência internacional no Brasil.
“Essas estatísticas atualizadas apresentam um quadro preocupante”, preocupa este relatório publicado antes da COP15 sobre a conservação de espécies migratórias pertencentes à fauna selvagem, de 23 a 29 de março em Campo Verde, no Brasil.
Entre as espécies listadas pela Convenção de Bona de 1979 sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens – que publica o relatório escrito por quatro cientistas – uma em cada quatro (24%) está ameaçada de extinção e metade (49%), ou 592 espécies, estão a ver a sua população diminuir.
Estas estatísticas representam um aumento de dois e cinco pontos percentuais, respetivamente, em comparação com o primeiro relatório deste tipo publicado em 2024.
Nos animais cujas populações estão a diminuir, “esta alteração pode refletir uma melhor informação sobre as tendências populacionais, em vez de uma queda repentina desde a COP14, mas a situação continua preocupante”, sublinha o relatório, que destaca, no entanto, a “urgência acrescida” de medidas de conservação para travar estes fenómenos.
As aves limícolas estão particularmente preocupadas com uma ameaça ao seu futuro, tendo a maioria sofrido uma deterioração do seu estado de conservação atribuível à intensificação das ameaças, e não a alterações resultantes de um melhor conhecimento dos dados, observa o relatório.
Do lado positivo, contudo, certas espécies foram transferidas para uma categoria menos ameaçada, como a foca-monge do Mediterrâneo, a saiga e o órix com chifre de cimitarra, graças ao sucesso das medidas de conservação.
As ameaças a estes animais estão diretamente ligadas à atividade humana: perda, degradação ou fragmentação de habitats, principalmente devido à agricultura intensiva ou à sobreexploração pela caça e pesca, bem como às alterações climáticas.
Suas migrações podem ser orientadas por diversos fatores, como a busca de condições climáticas favoráveis, o acesso à alimentação ou um ambiente ideal para o parto.
Os animais também estão sujeitos a pressões adicionais, como a poluição (pesticidas, plásticos, etc.) ou mesmo ruídos ou luzes subaquáticas que os perturbam.