Marc-Antoine Eyl-Mazzega é diretor do centro de energia e clima do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI). Em entrevista com Mundo, analisa as possibilidades de contornar o bloqueio do Estreito de Ormuz à disposição dos países do Golfo para exportarem o seu petróleo e gás. Segundo ele, as perturbações vividas pelo Catar, país que responde por 20% do comércio internacional de gás natural liquefeito (GNL), terão repercussões no abastecimento global ao longo do ano.
Será provável que a guerra no Médio Oriente provoque um choque petrolífero e um choque gasoso?
Do lado do petróleo, os mercados estão sob pressão, mas não reagiram exageradamente porque existem margens de segurança. A maioria dos países possui estoques enormes que podem durar de duas a três semanas. O mesmo do lado saudita, [la compagnie pétrolière nationale] A Saudi Aramco possui estoques logísticos bem abastecidos em todo o mundo, inclusive na Ásia, onde a maior parte da carga é destinada. E se a situação continuar tensa, os países consumidores que são membros da Agência Internacional de Energia [une trentaine de pays industrialisés, dont la France, le Japon ou les États-Unis] poderiam decidir mobilizar as suas reservas estratégicas de forma coordenada para abastecer os mercados e reduzir os preços.
O Estreito de Ormuz é decisivo para a evacuação de petróleo bruto e produtos petroquímicos dos países da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Mas nos últimos anos, a maior parte do aumento na produção de petróleo veio de países não pertencentes à OPEP, como a Guiana, o Brasil e especialmente os Estados Unidos. Essa produção alimentou um excesso de oferta e continua até hoje.
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