LCP – DOMINGO 1pronto-socorro MARÇO ÀS 21h – FILME
Na ONU ou no Conselho Geral de Creuse, é o mesmo olhar vazio. A do líder sentado, em cujo ouvido nos inclinamos para lhe trazer informações. Na maioria das vezes, este vazio serve para ocultar a importância dos novos dados assim recolhidos. Mas falta algo mais aos olhos de Paul Théraneau (Fabrice Luchini), na primeira vez que o descobrimos no pódio da Câmara Municipal de Lyon.
O prefeito socialista da capital da GáliaAlice e o prefeito sofre de uma doença misteriosa: já não deseja nem o poder nem os jogos que a sua conquista e preservação exigem. Dessa evaporação do desejo, Nicolas Pariser extraiu a essência de seu segundo longa-metragem, lançado nos cinemas em 2019, uma comédia cuja doçura é igual a amargura, uma elegia elegante à democracia representativa.
Ciente de sua condição, Paul Théraneau recorreu a Alice Heimann (Anaïs Demoustier), uma acadêmica com formação literária, que ele toma por filósofa. Ele gostaria que ela o ajudasse a reiniciar o fluxo de ideias que fez dele o magistrado-chefe de Lyon, um inovador político. Não foi por isso que chegou à Place des Terreaux, mas o cargo que lhe era destinado foi eliminado um dia antes de sua posse e outro foi feito para ela. Ainda antes de descobrirmos Paul Théraneau no seu esplendor outonal, um diálogo entre Alice e Mélinda (Nora Hamzawi) dá o tom da dimensão satírica que Pariser pretende dar ao seu filme, tanto mais cruel porque está imbuído de empatia. “Seu trabalho é recuar,” Melinda disse para Alice.
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