Centenas de metros de pegadas de dinossauros, algumas com contornos notavelmente claros de dedos e garras, foram descobertas nos Alpes italianos, onde serão realizados os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, anunciaram as autoridades na terça-feira.
“Este conjunto de pegadas de dinossauros é um dos mais importantes da Europa, até do mundo”, saudou Attilio Fontana, presidente da região da Lombardia, durante uma conferência de imprensa. A coleção “se estende por centenas de metros”, acrescentou.
O fotógrafo de natureza Elio Della Ferrera avistou pela primeira vez as pegadas em uma encosta rochosa quase vertical. Alguns mediam até 40 centímetros de diâmetro.
Ele chamou o paleontólogo Cristiano Dal Sasso, do Museu de História Natural de Milão, que reuniu uma equipe de especialistas italianos para estudar o local.
“Este local estava cheio de dinossauros; é um imenso património científico”, declarou Dal Sasso, citado no comunicado de imprensa da região.
“As pegadas paralelas indicam claramente rebanhos se movendo em sincronia, e também há vestígios de comportamentos mais complexos, como grupos de animais reunidos em círculos, talvez para defesa.”
– Garras afiadas –
As pegadas, atualmente cobertas de neve e fora dos circuitos habituais, estão preservadas em rochas dolomíticas do Triássico Superior, datadas de cerca de 210 milhões de anos atrás.
A maioria das pegadas são alongadas e foram deixadas por bípedes. Os mais bem preservados apresentam vestígios de pelo menos quatro dedos.
Isso sugere que pertencem aos prossaurópodes, dinossauros herbívoros com pescoços longos e cabeças pequenas, considerados ancestrais dos grandes saurópodes jurássicos, como o brontossauro, segundo especialistas.
Os prossaurópodes tinham garras afiadas e os adultos podiam atingir 10 metros de comprimento.
Não está excluído que certas pegadas sejam de dinossauros predadores ou mesmo de arcossauros, ancestrais dos crocodilos, especifica o comunicado de imprensa.
As pegadas encontram-se hoje numa encosta quase vertical devido à formação da cadeia alpina.
Mas quando os dinossauros vagavam por esta região, ela era composta por lodaçais que se estendiam por centenas de quilômetros e o clima era tropical.
“Os vestígios formaram-se quando os sedimentos ainda estavam soltos e saturados de água, nos vastos lodaçais que rodeiam o oceano de Tétis”, explicou o icnólogo Fabio Massimo Petti, citado no comunicado, em referência a este oceano pré-histórico.
“A plasticidade desta lama calcária muito fina, agora transformada em rocha, permitiu preservar em locais detalhes anatómicos verdadeiramente notáveis, como as impressões dos dedos dos pés e até das garras”, continuou.
As pegadas foram então cobertas por sedimentos que as protegeram, mas a elevação dos Alpes e a erosão das encostas das montanhas trouxeram-nas de volta à luz.
“Como as camadas que contêm as estampas são diversas e sobrepostas, temos uma oportunidade única de estudar a evolução dos animais e de seu ambiente ao longo do tempo”, enfatizou o geólogo Fabrizio Berra no comunicado. É como ler “as páginas de um livro de pedra”.