É um jogo que quem tem menos de quarenta anos talvez não conheça, mas Zork é um dos videogames mais importantes e fundamentais da história. A Microsoft abriu o código-fonte dos três primeiros episódios sob a licença MIT, uma licença particularmente permissiva que garante acesso gratuito e duradouro a estes clássicos do jogo de aventura em texto.
Difícil fazer mais culto do que Zork e ainda assim, é um jogo sem gráficos e sem som – apenas texto… e a imaginação do jogador! Desenvolvido entre 1977 e 1979 no prestigiado MIT, o primeiro episódio Zork I: O Grande Império Subterrâneo lançado em 1980; as outras duas partes, Zork II: O Feiticeiro de Frobozz E Zork III: O Mestre da Masmorraforam distribuídos em 1981 e 1982.
Um pedaço da história dos videogames disponível para todos
Para viajar pelo império do Grande Submundo e resolver os quebra-cabeças do jogo, é preciso inserir ações no teclado, em linguagem natural, o que era uma novidade na época… mesmo que o entendimento permanecesse rudimentar. Não estávamos conversando com um bot de IA! Foi um sucesso, com centenas de milhares de cópias vendidas e um legado que continua até hoje.
A cena de ficção interativa — que hoje está incorporada nas ferramentas de programação Twine, Inform ou ChoiceScript — continua a citar Zork como uma pedra angular. Os comandos textuais e seu humor absurdo ainda inspiram autores atuais, a ponto de encontrarmos acenos para Zork em muitos jogos contemporâneos.

Além de seus enigmas, Zork deixou uma grande marca técnica: a famosa Z-Machine, uma máquina virtual projetada para rodar o jogo em qualquer computador. Um conceito incrivelmente moderno para a época, que prenuncia os mecanismos multiplataforma de hoje e explica por que Zork foi capaz de ser portado para uma série de máquinas nas décadas de 80 e 90.
Estes três jogos, publicados pela Infocom (comprada pela Activision em 1986), continuarão a inspirar gerações de desenvolvedores. Na verdade, a Microsoft colocou o código-fonte do Zork sob licença do MIT (Zork eu, Zork II, Zork III). Na verdade, esse código estava disponível desde 2019 no GitHub, mas os direitos ainda estavam nas mãos da Activision. Este já não é o caso graças a esta nova licença que muda tudo tanto para arquivistas como para entusiastas.
Muito permissiva, a licença MIT autoriza o estudo, modificação, reutilização e redistribuição do código, inclusive em projetos comerciais, desde que mantida a atribuição. Isto abre a porta para trabalhos educacionais, experimentos técnicos ou mesmo reescritas parciais destinadas a compreender as escolhas da Infocom.
A Microsoft, porém, insiste num ponto: não se trata de modernizar Zorkmas para garantir que sua arquitetura e lógica de desenvolvimento possam ser exploradas livremente, como um verdadeiro pedaço da história do software. Este é, portanto, um passo importante a favor da preservação dos videojogos, uma área onde ainda há muito por fazer.
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Fonte :
Microsoft