Num western muitas vezes eclipsado na filmografia de Clint Eastwood, Shirley MacLaine entrega uma atuação memorável que transforma um projeto turbulento numa verdadeira curiosidade do cinema hollywoodiano. De volta à “Serra Torride”.
Em Hollywood, muitas atrizes dividiram a tela com Clint Eastwood. No entanto, uma atuação continua a destacar-se claramente: a de Shirley MacLaine num western um tanto esquecido, mas longe de ser trivial.
Shirley MacLainefigura incontornável do cinema americano, se prepara para comemorar seu 92º aniversário no dia 24 de abril. Sua carreira, que começou muito jovem, começou aos 21 anos sob a direção de Alfred Hitchcock em Quem Matou Harry?. Desde então, fez mais de 70 filmes e obteve cinco indicações ao Oscar de Melhor Atriz, ganhando a estatueta graças ao seu papel em Tender Passions, onde dividiu o palco com Debra Winger e Jack Nicholson.
Um faroeste atípico nascido de múltiplas reescritas
Volte ao final da década de 1960. Em 1969, ela se juntou Clint Eastwood para um western dirigido por Don Siegel, cineasta mais conhecido por Point Blank e Invasion of the Tombs. O filme, intitulado Sierra Torride, se destaca pelo tom que mistura aventura e comédia. A história se passa no México e traz um encontro improvável: o de um pistoleiro solitário e uma freira. Este último, sobrevivente de um ataque, afirma ser perseguido por franceses entrincheirados num forte – local que interessa justamente ao personagem de Eastwood.
Se o filme beneficia da música composta por Ennio Morricone, o seu verdadeiro trunfo está na alquimia entre os seus dois protagonistas. De um lado, uma freira enigmática escondendo suas verdadeiras intenções; por outro, um aventureiro desiludido, perfeitamente à vontade no duro mundo do Ocidente. Certamente, o humor nem sempre acerta e os diálogos são particularmente numerosos para um western, mas a vitalidade e o carisma de Shirley MacLaine dar ao filme uma energia única.
Universal
De Taylor a MacLaine: uma heroína inesperada
O que se sabe menos é que a atriz não foi inicialmente considerada para o papel. O projeto foi originalmente esboçado por Budd Boetticher na forma de um romance. Posteriormente, Elizabeth Taylor assumiu o roteiro, reelaborou-o em profundidade e planejou desempenhar o papel principal oposto Clint Eastwood. Os dois atores se cruzaram graças a Richard Burton, marido de Taylor, durante as filmagens de When Eagles Attack.
Universal
Eastwood, por sua vez, queria filmar na Espanha com Sergio Leone, reconectando-se assim com o diretor de O Bom, o Mau e o Feio. Mas este projeto não se concretizou: Leone recusou a proposta. Mais tarde, ele explicaria sua recusa a Noël Simsolo em Conversas com Sérgio Leone :
“Ele me enviou o roteiro de Sierra Scorching. Desde as primeiras cinco páginas entendi que a freira era uma prostituta. Então, não adiantava fazer o filme. Don Siegel cuidou disso… No final, foi melhor para cada um de nós seguir em frente.”
Por fim, o estúdio Universal insistiu que as filmagens acontecessem no México. Clint Eastwood permanece vinculado ao projeto, enquantoElizabeth Taylor se retira dele. É assim Shirley MacLaine junta-se à aventura, trazendo um toque único ao filme que, décadas depois, continua a deixar a sua marca.
Sierra Torride pode ser vista novamente em VOD.
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