
O governo está se preparando para perturbar a economia dos painéis solares residenciais. Um projeto de decreto, submetido ao Conselho Superior de Energia no início de abril, prevê a redução do preço de compra excedente para 1,1 cêntimos e a eliminação do bónus de autoconsumo para todas as pequenas instalações. O suficiente para tornar quase inexistente a revenda de energia elétrica e empurrar os indivíduos para o autoconsumo total.
As regras do jogo mudarão radicalmente para as famílias que desejam investir em painéis fotovoltaicos. Um projeto de decreto que altera o decreto S21, recentemente apresentado ao Conselho de Alta Energia, prevê uma revisão total dos auxílios concedidos a particulares. Atenção: os contratos já assinados não serão postos em causa, apenas as novas instalações serão afetadas.
Uma queda repentina na remuneração
O primeiro golpe é o mais violento. O preço de compra do excedente de electricidade pela EDF OA cairia de 4 cêntimos de euro para apenas 1,1 cêntimos por kWh, uma divisão por quatro. Tendo em conta as reduções já aplicadas desde março de 2025, a remuneração seria assim dividida por mais de dez no espaço de apenas um ano.
Outra má notícia é que a recompra seria simplesmente suspensa durante episódios de preços negativos. Refira-se que a rede eléctrica francesa registou 513 horas de preços negativos no mercado grossista face às 352 em 2024. Ou seja, a electricidade produzida seria injectada na rede sem qualquer compensação. O bónus de autoconsumo também desapareceria: actualmente entre 60 e 120 €/kWp dependendo da potência da instalação, desapareceria pura e simplesmente. O mesmo se aplica à revenda de toda a produção, até agora acessível a instalações até 100 kWp.
As razões para tal desligamento
Esta decisão explica-se, em primeiro lugar, pelos riscos crescentes de desequilíbrio na rede eléctrica. No final de 2025, a Enedis identificou 848.374 instalações fotovoltaicas para autoconsumo individual. Esta multiplicação deslumbrante gera um enorme pico de produção no meio do dia, enquanto o consumo geral de eletricidade estagna. Uma situação que por vezes obriga a EDF a reduzir ou mesmo a encerrar os seus reactores nucleares, concebidos para funcionar com a maior regularidade possível, como salienta Ouest-France.
O aspecto financeiro também pesa muito. De acordo com o recente relatório Lévy-Tuot, apresentado ao Primeiro-Ministro em 10 de abril de 2026, o peso nas finanças públicas ligado às compensações pagas pelo Estado ascendeu a 2,6 mil milhões de euros em 2024, 5,3 mil milhões em 2025, e poderá atingir pelo menos 6,8 mil milhões em 2026.
Rumo à ascensão das baterias domésticas
Apesar destes anúncios chocantes, o investimento em painéis fotovoltaicos continua relevante graças à queda do preço do material. A estratégia de equipamentos deve, no entanto, evoluir: a rentabilidade não será mais baseada nas vendas, mas na maximização do consumo pessoal. Os profissionais recomendam, portanto, não sobredimensionar as instalações e combinar os painéis com uma bateria doméstica. Uma bateria de 10 kWh (cerca de 5.000€, amortizados em dez anos) pode aumentar a autonomia elétrica de uma habitação de 30% para mais de 60%.
Ao mesmo tempo, face à retirada do Estado, os fornecedores privados oferecem novas alternativas. A Octopus Energy lançou assim uma oferta Solar Boost, garantindo a compra do excedente a 4 c€/kWh durante quatro anos, desde que a instalação esteja acoplada a uma bateria doméstica. No entanto, um caminho a explorar com discernimento: o sector de aquisições privadas não está imune a empresas pouco sérias, como ilustrado pelo caso da JPME, fortemente sancionada por milhões de euros em dívidas não pagas desde 2023.
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