Em laboratório da fabricante de aromas cosméticos e princípios ativos Givaudan, em Paris, 10 de fevereiro de 2020.

Na quarta-feira, 29 de abril, o Parlamento Europeu aprovou o plano de flexibilização da regulamentação dos produtos químicos, que faz parte de uma série de medidas adotadas pela União Europeia (UE) nos últimos meses para “simplificar” vida empresarial. Este projeto visa dar aos fabricantes mais tempo para retirar da venda cosméticos que contenham substâncias perigosas.

Estas substâncias classificadas como CMR (cancerígenas, mutagénicas ou tóxicas para a reprodução) são proibidas em produtos cosméticos comercializados na UE. Eles estão divididos em três categorias, 1A (efeitos comprovados), 1B (efeitos suspeitos), 2 (efeitos suspeitos). A sua lista é reavaliada regularmente: a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) é responsável pelo estudo da periculosidade de uma substância, para possível classificação pela comissão.

Atualmente, as empresas têm dezoito meses para reformular os seus produtos e retirar uma substância classificada como CMR, findo o qual já não poderão comercializar o seu produto. Existem isenções cujos termos diferem dependendo do nível de perigo da substância. Os fabricantes estavam preocupados com a potencial classificação CMR de certas substâncias, como o paracimeno ou a acetofenona, utilizadas principalmente em perfumaria. Também criticaram as dificuldades na obtenção de isenções.

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Cerca de dois anos e meio

O texto – revisado pela comissão parlamentar em meados de abril – amplia os prazos e concede cerca de dois anos e meio para se retirarem da venda de produtos que contenham substâncias CMR, quando não for feito pedido de isenção ao fabricante. Poderá ser concedido um período adicional a título de derrogação, até mais de seis anos em certos casos.

Outro dispositivo visava autorizar a presença de substâncias cancerígenas de acordo com sua forma de aplicação (oral ou inalatória) quando utilizadas em produtos cuja dosagem exija aplicação cutânea. Foi abandonado devido à oposição dos eurodeputados.

Os prazos para manter no mercado produtos que contêm substâncias CMR recentemente classificadas são “totalmente inaceitável”avalia a ONG Future Generations, especialmente porque a classificação de uma substância como a CMR pela UE já leva anos. Para o eurodeputado francês Pascal Canfin (Renew, centro), que lutou contra este projeto, “o argumento económico não deve dominar a partir do momento em que falamos da saúde dos europeus”.

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O mundo com AFP

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