TEMDepois do PFAS, aí vem o cádmio. O recente relatório da Agência Nacional de Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional diz-nos que estamos sobreexpostos a este metal pesado, que pode danificar os nossos rins, enfraquecer os nossos ossos e aumentar o risco de cancro. Como esta substância tóxica é encontrada no nosso organismo através do consumo de cereais e batatas, os mais pessimistas já imaginam os franceses tendo de abdicar da sua mítica baguete.

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Esta não é a primeira vez que o pão está no centro de um processo judicial. Em agosto de 1951, a pequena cidade de Pont-Saint-Esprit (Gard), com uma população de 4.500 habitantes, foi atingida por uma doença estranha: no espaço de uma semana, sete pessoas perderam a vida, cerca de dez tentaram atirar-se de uma janela, 50 homens e mulheres de todas as idades, sofrendo de alucinações, foram internados num hospital psiquiátrico, enquanto outras 200 pessoas, sofrendo de intoxicações graves, foram hospitalizadas com urgência. Passado o momento de medo, o culpado foi rapidamente identificado: todas as vítimas tinham em comum o facto de terem comido o mesmo pão. A culpa foi do ergot do centeio ou da água suja do padeiro, antes de descobrir que o moleiro havia usado produtos químicos tóxicos para lutar contra patógenos e branquear a farinha.

Tal tragédia nunca mais aconteceu, mas desde então o pão foi submetido a muitas outras provações: é acusado de engordar, de dificultar a digestão, de causar alergias e intolerâncias ao glúten… Os humanos, no entanto, consomem pão há seis milénios. Há um século, ainda comíamos quase 1 quilo por dia e por pessoa – o que representava então três quartos da ingestão calórica de um agricultor ou trabalhador.

Hoje consumimos dez vezes menos, embora os cereais continuem a representar uma parte essencial da nossa alimentação – a pizza, o kebab, o sushi e os tacos são os quatro pratos mais consumidos no mundo, e a França, que inventou os “tacos franceses”, não é exceção. Acima de tudo, comemos outro tipo de pão: branco, leve, barato, muito salgado e rapidamente perecível. Este pão, proveniente da agricultura industrial e da panificação, merece ser questionado.

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